quinta-feira, 29 de julho de 2021
Tecla 3
quinta-feira, 15 de julho de 2021
É só vaidade (II) @ Estalo, Guimarães, 3 a 12 de Junho

Porque raios só os ricos e os famosos podem fazer lavagem de dinheiro e tráfico de influências criando as suas Fundações que rumam ao desconhecido?
A Fundação Farrajota veio reivindicar que até os pobretanas tem direito a tal figura de entidade colectiva. Mas que faz esta Fundação? Materializa a memória do clã, recuperando arte e objectos editoriais para espaços públicos, minando a tirania da história e dos seus tristes vencedores. Em breve também editará livros de memórias criando um verdadeiro catálogo de mitomania e de desespero existencial.
Criada em 2004 para uma exposição de Arte no evento “underground” Crime Creme Doméstico, desde então pela sua sede, já passaram esposas de social-democratas, estrelas do Trap, suecos clinicamente reconhecidos como doentes mentais, anarquistas da academia, lutadoras anti-racistas como ainda industrialitas celibatários. Neste improvável “melting-pot” de pessoas criou-se uma forte rede de “contactos” que resultou finalmente numa acção oficial no inútil festival Fólio em Óbidos, em 2019, com a mostra bibliográfica “É Só Vaidade”.
E agora, tentacularmente, ela repete a fórmula para o festival Estalo em Guimarães.
É Só Vaidade
É uma mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. É a sua segunda vida e tem o mesmo título porque os tecnocratas não têm imaginação.
Os zines são artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas de Arte e recipientes de Cultura precária. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações até aos dias de hoje de tal forma que continuam a provocar dores de cabeças a todos os que gostam de catalogações.
Estão expostas aqui, uma série de publicações a provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra incida-se sobretudo na Banda Desenhada portuguesa, Arte constantemente mal-tratada mesmo pelas instituições públicas que a promovem, de tal forma que a FF sentiu um chamamento para esta batalha contra a ignorância!
Em Portugal, os fanzines de BD aparecem nos anos 70, muitas vezes sem o vocábulo correcto, espalhando-se em denominações como “jornal” ou “revista”. Eram geralmente criadas por colectivos de colecionadores ou em contextos escolares mas a vontade era óbvia: sair do espartilho da censura ou, depois do 25 de Abril, curtir a liberdade da Democracia.
Com o evento da cultura digital, o zine foi-se transformando, embora muitas vezes as suas características antigas reapareçam em novos formatos. É impossível não sentir um antagonismo de conceitos entre as publicações das origens até aos anos 90 e as do novo milénio. Até ao advento hegemónico do Digital, sobretudo com a omnipresença das redes sociais a tomarem conta da Internet, os zines eram produzidos por colectivos (A Vaca que veio do Espaço), a informação e crítica eram imperativos (Aleph, O Moscardo), havia uma continuidade do título com uma numeração, mesmo quando esta era muitas vezes subvertida, e usava-se a fotocopiadora do trabalho (à socapa) ou do centro de cópias para a sua reprodução.
No mundo da cultura digital, a produção torna-se individualizada, personalizada, mais artística, sendo muitas vezes cada objecto quase único, já para não dizer que se ignora a numeração, afinal cada título é um monográfico, seguindo a lógica de um livro - ou de uma plaquete ou de livro de autor ou de artista. As tiragens baixaram porque a impressão pode ser feita na impressora caseira ou como aconteceu na última década à base da risografia. Esta última traz o calor das cores num bonito paradoxo do defeito do trabalho manual com o brilho açucarado dos ecrãs. Apesar dessa liberdade da impressão caseira, serão poucos os exemplos que a aproveitam para exagerar ou diminuir os formatos convencionais do habitual A4 (ou dobrado dando um A5), aliás, nos anos 90, o A5 torna-se regra para quem faz fanzines - o que significa na maior parte das vezes apenas uma coisa, quem edita são putos que não tem muito dinheiro.
Se o fim do zine colectivo possa significar um confinamento social das sociedades ocidentais, em compensação cada “monográfico” é um portfólio do artista, o manifesto das suas potenciais qualidades e uma cereja no topo para os leitores ousados. Apesar de ser mais fácil seduzirmo-nos por uma publicação a solo do que encontrar o artista que gostamos no meio de dezenas de páginas de uma antologia, tornou-se também mais complicado encontrar as publicações se não estas tiverem boa exposição em eventos especializados.
O digital roubou a reflexão em favor da reacção, daí que nas várias mesas da exposição queremos relembrar o sentido de missão da divulgação dessas publicações (Nemo, Cadernos da Banda Desenhada), a irreverência da experimentação (Sim/ Não), o uso de materiais pouco convencionais (106u, Sub, Succedâneo) e o uso de uma escatologia sem pudor que parece ter sido entretanto saneada nos zines, talvez porque se observa que na cultura vigente até o putedo literário actual sabe que não será multado ou preso por usar palavrões em obras literárias, “O amor é fodido”, pá!
A quantidade de títulos com associação a “vómito” aqui presentes estão realmente balizados nos fins do século XX e no início do novo. Depois, como todos sabem, a ‘net foi inventada para vermos vídeos giríssimos de gatos, a quantidade de títulos a piscar aos amantes dos felinos rivalizam os de escatologia.
Pelo meio encontrarão objectos sobre este preciso ponto onde se encontram! A cidade de Guimarães (Garagem, Ancient Prophecy), o festival Estalo, os seus artistas convidados (André Coelho, Edgar Pêra e a Oficina Arara) e os participantes do mercado Necromancia Editorial - neste último caso, fomos às suas pré-histórias como o fanzine Zundap que deu na Imprensa Canalha ou o Clube do Inferno que agora é o Massacre.
Estando previsto um novo número do zine Mesinha de Cabeceira, há uma mesa dedicada a esta publicação existente desde 1992, co-fundada por Marcos Farrajota e Pedro Brito. O número 30 publica uma BD da vimaranense Alexandra Saldanha, mais conhecida pela banda Unsafe Space Garden. Sim, é só vaidade…
Mesa dedicada a Guimarães e ao Estalo
- Garagem #1 (Garagem, 2000), v/a
nota: revista de música que edita o primeiro disco de drum’n.bass português, de Phastmike.
- Ancient Prophecy #1 (Paulo Ribeiro; Out’96), v/a
nota: fanzine de Metal cristão
- Acto #9 (ACT; 2009), v/a
- Buraco #4 (Arara; 2012), v/a
nota: número dedicado à (des)ocupação da Es.Col.A
- Mundos em Segunda Mão, vol. 2 (MMMNNNRRRG; 2015), Aleksandar Zograf
nota: “cine comics” na contracapa de Edgar Pêra
- SWR Barroselas Metalfest 18 Sticker Booklet (SWR; 2016), André Coelho
- Ao Coração das Trevas (Ao Norte; 2018), André Coelho
Mesa dedicado às “pré-histórias” dos editores do Necromancia Editorial
- Estou Careca e a minha cadela vai morrer (Marco Mendes & Miguel Carneiro; Jun’05), v/a
- Satélite Internacional #4/5 Sputnik (col. A Língua; Jun’05), v/a
- Tierra de Nadie (2015), Rodolfo Mariano
- Surto #2 (Sarna; Jun’19), v/a
- Radiation 2 (Clube do Inferno; 2014), Mao
- Freak Scene #1 (Clube do Inferno; 2014), André Pereira
- Zundap #11[#6?] (José Feitor; 2003?), v/a
nota: este fanzine era numerado aleatoriamente para confundir os colecionadores, yes!
- Jungle Comix #1 (Rudolfo Comix; 2009), Rudolfo da Silva
Mesinha de Cabeceira
#0 (Fc Kómix; Out’92), v/a, capa: Pedro Brito
#5 + Meseira de Cabecinha #1 (Fc Kómix; Ago’94), v/a, capas: Pedro Brito
#10 (Fc Kómix + Chili Com Carne; Nov’96), v/a, capa: Marcos Farrajota
#13 (Chili Com Carne; Out’97), “88” de Nunsky
#16 (MMMNNNRRRG; Out’02), “Super Fight II” de André Lemos
#23 (Chili Com Carne; Out’12), v/a
nota: páginas expostas de Uganda Lebre
#29 (Chili Com Carne; Abr’21), “A Fábrica de Erisicton” de André Ferreira
Mesa de BD anos 70 a 90
- O Máximo #2 (Edições Dada; Dez’75?), v/a
nota: páginas expostas de Isabel Lobinho
- O Estripador #0 (Delfim Miranda; Jan’75), v/a, capa: Fernando Relvas
- Evaristo #2 (António Pereira; Mar’75), v/A, capa: Vicente Barão
- Grafpopzine (Mai’88), Alice Geirinhas e João Fonte Santa
- Psicose Infantil (Illegal Comix; 1991), v/a, capa: Fernando Gonçalves (?)
- Pintor & meio #2 (Rodrigo Miragaia; Abr’91), v/a, capa: Rodrigo Miragaia
Mesa de BD deste milénio
- Galante e a Mulher-Mistério, Fotonovela nº1 (Pôe-te Fino Edições Caseiras; 2011), Bruna e Carol Carvalho
- Não me contes o fim!! Eles.. morrem todos. (Senhorio; 2006), Nuno de Sousa e Carlos Pinheiro
- There are only seven stories in the world (O Panda Gordo; 2013), v/a
- Lençóis Felizes (Happy Sunflowers Books; 2013), Van Ayres
- Noberto à chuva + Noberto nas montanhas (La Pie qui Aime eles livres; 2014), Margarida Esteves
- [sem título] (2011), Lucas Almeida
- BD PZL (2018), Mariana Pita
nota: BD baseada no jogo picross ou nonogram
- Durty Kat #10 (Ana Ribeiro; 2018), v/a
- O Gato Mariano não fez listas em 2017 (2017), Tiago da Bernarda
- Cvthvus #2 (Jun’13), Chaz the cat e Gonçalo Duarte
Mesa dos Formatos e Materiais
- Bioedificio 421 (Lök, Itália; 2012), v/a
- Bactéria #10 (Francisco Vidal; 2001?), v/a, capa: Francisco Vidal
nota: capa em serigrafia com biscoito de cão em formato de osso (moído entretanto!)
- Ganmse (1986), Rigo 23
- Sub #8 (Pitchu; Out’99), v/a
- Mix Tape (Dinamarca, 2008), Allan Haverholm
- 106 u #5 (Eric Bräun, Canadá; 1998?), v/a
- Succedâneo #-20 (João Bragança; Jan’01), v/a
- Sim / Não (1998), Geral & Derradé
nota: duas BDs que se vão concluir na página central deste “split”
- Joe Índio especial Off (A Vaca Que Veio do Espaço; 1994), v/a
- Chicken’s Bloody Rice #0 (Other’s Thinking Productions; Jun’03), v/a
nota: era acompanhado por um saco de plástico que continha uma perna de galinha, arroz e água colorada de vermelho, reza a lenda, que a putrefação dos materiais fez um colecionador vomitar
- Pecarritchitchi #2 (Abr’04), João Bragança
nota: deverá ser o zine mais pequeno de sempre, o número anterior tinha o tamanho de um selo
Mesa da escatologia
- Cona da Mão #1 (Gonçalo Pena; 1998?), v/a, capa: Gonçalo Pena
- Vermental #0 (André Silva; 1995), v/a
- Vómito #1 (1997?), v/a
- Vomir #1 (1999), Nuno Pereira
- L’Horreur est Humaine #4 (Sylvan Gérand, França; Jan’02), v/a, capa: Fredox
- Puke Junk & Hit the fan (EUA; 1997), Fly
- Esperma Sangrento #1 (199_?), Janus
- Herpes Labial #1 (Produções de Marda; Out’97), v/a
- Besta Quadrada #1 (João Fonte Santa; 1993), v/a
- Besta Quadrada #3 (André Catarino & Tiago Baptista; 2008), v/a
nota: coisas que acontecem, títulos que se repetem sem os editores conhecerem o precedente, curiosamente quer Santa quer Baptista são pintores e actualmente moram a poucos mais de 5 minutos um do outro. Recentemente aconteceu algo idêntico com o “Olho do Cu”, dois editores separados por 10 anos mas ambos moradores da mesma região, em Abrantes.
Mesa dos Fanzines de crítica e Meta
- Aleph #2 (José Morais C. de Faria; Mar’74), v/a
nota: número em que se dá uma virada maoísta no colectivo, conforme a moda da altura
- Cadernos da Banda Desenhada #2 (Catarina Labey; Mar’97), especial Jayme Cortez
- Nemo #26 (2ª série, Manuel Caldas; Jun’97), v/a
- O Moscardo #1 (Jun’90), Arlindo & Jorge Guimarães
nota: talvez o único fanzine de crítica de BD em Portugal, sobreviveu diatribes, dois números e um suplemento
- Expofanzines 2001 (Colectivo Phanzynex, Galiza; Jul’01), catálogo
- Fan Catalog (CM de Almada; 2008), catálogo
nota: além da entrada da publicação recebida nesta mostra também é mostrada as embalagens de como foram enviadas
- My Precious Things #9 (Fc Kómix; Out’98?), v/a
nota: newsletter de críticas a edições independentes e catálogo da Distribuidora Esquilo GIGANTE.
- Portuguese Small Press Yearbook (Catarina Figueiredo Cardoso; 2018), v/a
nota: especial BD
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Tim Burgess : Telling Stories (Viking / Penguin; 2012)
Enquanto toda a malta que é malta fala do Punk ou o Metal como o género de música que lhes bateu mais, para abrir o terceiro olho (já lá vamos) daqui deste lado devo dizer que foi a onda "Madchester" que me fez curtir música de forma séria pela primeira vez na vida sendo eu na altura um consumidor ignorante de Top+ e o que ouvia num subúrbio de gente parva (Cascais). O punk acontece "alguns meses mais tarde" depois de curtir aquele Pop dançável e orelhudo da terra dos bifes - e depois foi tudo ao mesmo tempo: Industrial, Gótico, Metal, Hip Hop, Rave, Grind, Crust, yo! Por isso, quem me conhece mal, acha um bocado estranho eu ter uma anca de dança pelos Stones Roses e Happy Mondays invés de me babar por Napalm Death ou The Cure como qualquer outra pessoa interessante. Desculpem...quarta-feira, 16 de junho de 2021
Comix-Remix-Snif-Snif
quinta-feira, 27 de maio de 2021
É só Vaidade (outra vez mas diferente)
Novidades editoriais:
Mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. Podemos considerar os zines como um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas e precárias, reações à tirania da História. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações mas continuam a provocar dores de cabeças a todos que gostam de gavetas certinhas. Estarão expostas uma série de publicações para provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra irá-se incidir sobretudo na BD.
sábado, 22 de maio de 2021
Fuck you all, é um dos melhores discos de Rock de sempre!
É uma merda ser kota vindo dos anos 90, não tinha guito e foi tudo ouvido em k7s manhosas, álbuns incompletos, tudo manhoso! Agora que tenho guita, YES!, posso comprar os CDs que quiser e recuperar discos do caralho, fuck you all!!!
Fontanelle (Reprise; 1992) das Babes in Toyland é um power que está lado-a-lado com qualquer Nirvana ou Big Black. Aliás, desde este disco que não há Rock assim!!! Um dia volto a isto menos excitado!
Desculpem, podem voltar ao vosso Netflix e outras punhetas...
PS - 'pera lá, vendo a ficha técnica, finalmente, topo que a produção esteve a cargo de um Sonic Youth (Lee Ranaldo) , o "mixing" por um Skinny Puppy (Dave Ogilvie) e a "masterização" a cargo de Howie Weinberg que já trabalhou para tudo que é gato sapato neste planeta Pop, da Madonna ao "grande poeta de Chicago" (cóf cóf cóf). Isto explica o disco ser uma bujarda? Mas que significa também que afinal é um grande artifício?
PPS - ouvindo o álbum de estreia Spanking Machine (Twin/Tone; 1990) que elas já eram boas mas realmente o som é mais garage ou o que seria o Grunge. Fontanelle é outro campeonato, parece uma ópera de punks, tal é a forma como os vocais são esticados e dramatizados. Musicalmente é mais rico, com breaks e momentos Dark, como o instrumental Quiet Room. Sim, há qualquer coisa de Skinny Puppy apesar de estarmos em terrenos Rock.
PPPS - Nemesisters (Reprise; 1995) pode ser um grande título para disco mas é um bocado chato e paradoxal, tanto mantem as características da banda que tanto correm muito bem como parece uma caricatura grunge sacada ao Hate do Peter Bagge, como experimentam cenas que não tem interesse nenhum como fazer uma péssima e irónica (?) versão de We are Family das Sister Sledge, o que se tornou um paradigma nos anos 90 para bandas esgotadas de ideias. Se calhar este é o famoso "díficil segundo álbum" da banda - embora seja o terceiro, arf arf arf... Ainda assim rocka só que uma hora de disco para este tipo de som não resulta, especialmente com a palha metida pró fim.
quarta-feira, 12 de maio de 2021
segunda-feira, 10 de maio de 2021
Trabalha, malandra!
Alexandra Saldanha invés de estar a fazer a BD para o próximo número do Mesinha de Cabeceira, distrai-se a ler números antigos! Ainda por cima daqueles números do kota Farrajota. 'Tá provado que a BD é dissuasor da produtividade e promove a procrastinação. Assim não dá, chavala! Entretanto, topem o novo disco da sua banda Unsafe Space Garden...
segunda-feira, 3 de maio de 2021
sábado, 24 de abril de 2021
Que giro!
terça-feira, 6 de abril de 2021
#29: A Fábrica de Erisicton
Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação...
Fico espantado com a quantidade gigantesca de livros que são publicados actualmente. Florestas inteiras de papel impressas com todo o tipo de inanidades e de vacuidade. A esmagadora maioria vai, certamente, acabar nas debulhadoras de reciclagem, resultado da mais completa indiferença e esquecimento.
No entanto, as paredes e sombras erguidas por estes livros inanes ocultam e obliteram os outros livros que valem a pena a ler, soterrando-os para os confins da vista. A Fábrica de Erisicton é um manifesto eco-activista inspirado no livro VIII das "Metamorfoses" de Ovídio, baseando-se na história da mitologia grega do rei Erisicton que depois de cortar com um machado uma árvore sagrada, é castigado com uma fome insaciável, que o vai obrigar a devorar-se a si próprio.
A sobre-exploração dos recursos e da terra pelas culturas intensivas que se multiplicaram na paisagem alentejana, são o pano de fundo desta metáfora desencantada.
O desenho colorido psicadélico e naif de André Ferreira, profundamente poético sem ser panfletário, devolve-nos uma imagem irreal e delirante, mas simultaneamente tão próxima e implacável, resultante de um capitalismo tardio, cujo último estertor prolonga-se agonizante, mas sem permitir vislumbrar o que se seguirá.
Como assinalou Mark Fisher "o capitalismo está de facto talhado para destruir todo o meio humano. A relação entre capitalismo e desastre ecológico não é uma coincidência nem um acidente: a «necessidade de um mercado em constante expansão» do capital, o seu «fetiche do crescimento», significa que o capitalismo se opõe pela sua própria natureza a qualquer conceito de sustentabilidade."
Com toneladas de livros inúteis espalhados por todo o lado, a edição de singelos 100 exemplares de A Fábrica de Erisicton está esgotada, o que se lamenta, pois este volume devia estar permanentemente disponível e com o autor em digressão ininterrupta pelas escolas, integrando um plano de leituras e de discussão transversal a diversas disciplinas curriculares.
quarta-feira, 31 de março de 2021
Punk DVD
Desconhecia totalmente este filme / documentário, The Punk Rock Movie, de Don Letts, originalmente de 1978 e entretanto com uma dezena de edições audio-visuais com capas terríveis - é o caso desta edição da JGS de 20__? - e o som falsificado com gravações de estúdio dos temas (idem com esta edição). Sim, na essência são gravações de concertos de Letts - o famoso DJ que solidificou a ligação do Punk aos sons jamaicanos - nos 100 dias de existência do The Roxy, mítico clube londrino de Punk Rock. 'Tá cá toda a gente da altura em performances quase sempre chatas, sobretudo os vocalistas que nunca sabem o que fazer quando não cantam. Aliás, percebe-se porque os Sex Pistols serão sempre os melhores desta colheita, Rotten está sempre a cantar e/ou a fazer caronhas, e isso ajuda imenso a ouvir Rock tosqueira! Depois há gajos a chutar heroína ou a auto-mutilarem-se no peito. Impressiona. Não convém estar a almoçar a ver isto. Curioso isto tudo, foi noutra era. Seguimos em frente!
Superturunen!!!!!!!!!!!!!!!!
Dekathlon é um dos seis gajos (?) de Circle a fazer Synth-pop-wave-whatever tal como há outros gajos da banda a fazerem outras mil e uma coisas... Prontos deu para isto. Be Safe / Comfort Zone (Fell Contact / 2019) é um 7" cor de laranja e isso é um ponto positivo. O outro ponto positivo é a capa do grande Marko Turunen, um autor de BD e ilustrador finlandês impossível de não amar. A música é abaixo de cão, ou o resultado quando ex-metaleiros se aborrecem, deixando um rastro de destruição que queima a vida, a arte e tudo o mais o que interessa. Vão ouvir Human League ou Depeche Mode invés, aqui perde-se tempo, pouco.. porque é um single.
terça-feira, 23 de março de 2021
sábado, 13 de março de 2021
CIA info 90.0
quinta-feira, 11 de março de 2021
Light Metal! Light Metal?
Quando abri o pacote de Natalixo atrasado que o Pastor Gaiteiro enviou no outro dia, quase que me vim ao ver o CD Light Metal (auto-edição; 1998)! Light Metal? Versões em tuba de clássicos do Metal? Como os Alice Donut faziam? (olha bandinha completamente e injustamente esquecida!).
Nada disso, Tubalaté é um quarteto de ingleses pervertidos (todos os ingleses o são, bem sei da redundância da frase) que tocam tubas de peças de Tchaikovsky aos Beatles, de forma agradável, leve e tal. Tão agradável e leve tal como despreocupados que o CD nem está masterizado e para o fim o volume do som vai baixando, quase parecendo que estamos a a ouvir The Caretaker. Ainda assim obriga a um gajo a levantar-se do sofá, interrompendo a impreterível leitura de literatura anarquista, para ir aumentar o som e conseguir ouvir o disco como deve ser.
"Light Metal" no entanto - não se riam - existe, lembro da existência dos H.I.M. e dos Ghost. Há historial! Não me lixem!
domingo, 31 de janeiro de 2021
Perkele!
Lançado em Dezembro de 2019 eis que o THE THICK BOOK OF KUTI que comemora os 50 primeiros números do jornal / revista de BD Kuti, ganhou o Prémio de BD Alternativa do Festival de Angoulême!!!
Editado por Tuomas Tiainen e Heikki Rönkkö, participo com o artigo "Comix Remix" (ler aqui e aqui) em inglês, neste tijolo de 480 páginas sou com o André Lemos, os únicos portugueses publicados entre gente como Sami Aho, Max Baitinger, Zven Balslev, Benjamin Bergman, Pakito Bolino, Lilli Carré, Anna Deflorian, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Frédéric Fleury, Aisha Franz, Matti Hagelberg, Anna Haifisch, Jyrki Heikkinen, Alejandro Jodorowsky, Bendik Kaltenborn, Kapreles, David Kerr, Marlene Krause, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Lilli Loge, Gunnar Lundkvist, Moolinex, Søren Mosdal, Jérôme Mulot, Tommi Musturi, Pauliina Mäkelä, Jyrki Nissinen, Pentti Otsamo, Ville Ranta, Aapo Rapi, Kati Rapia, Helge Reumann, Sam Rictus, Florent Ruppert, Anna Sailamaa, Olivier Schrauwen, Tiitu Takalo, Rui Tenreiro, Alessandro Tota, Katja Tukiainen, Marko Turunen, Brecht Vandenbroucke, Amanda Vähämäki, Mikko Väyrynen, Emelie Östergren... ufa... e ainda há muito mais!



















