quinta-feira, 29 de julho de 2021

Tecla 3

Anda, Diana (Sistema Solar + Ed. ________; 2021) é um livro da bailarina e coreógrafa Diana Niepce que em 2014, num ensaio cai de pescoço de um trapézio e fica tetraplégica. Isto levou-a repensar o corpo performativo (...) A partir desse momento a sua carreira é moldada em torno da sua nova condição física, sendo convidada para participar como oradora em sessões de trabalho sobre a relação entre a arte e a deficiência. Conheci o seu trabalho curiosamente num dos poucos espectáculos que pude assistir em 2020, antes desta merda toda fechar, e fiquei completamente banzado pela sua pujança e erotismo. Este ano saiu um livro dela, um "diário ficcional" diz no frontispício e na contra-capa.

Um amigo meu disse-me que prefere ler livros "maus" a nível literário mas com força vinda de uma experiência de vida do que livros bem escritos mas que a vida decorre lá do alto da torre de marfim. Creio, que ainda há uma "terceira via", que é a do gajo da torre de marfim que trabalhe no duro e que consiga também mostrar uma força vital - lembro-me do William T. Vollman na falta de melhor exemplo. O livro da Diana é da primeira categoria, como peça literária é fraca mas a sua personalidade trespassa a escrita sem papas na língua, seja para denunciar como os deficientes motores são ignorados no trato social e arquitectónico, seja para despejar as glórias e quedas dos amores + sexo com os companheiros/as (?) ou seja quem for que lhe atravesse o caminho - várias vezes ameaça dar com a cadeira de rodas a parvalhões e imagino-a atropelar o pé de um idiota e dizer "ups! desculpe, foi sem querer...". Gaja fodida!

A escrita é fragmentada e o registo é autobiográfico, falta no entanto algum empenho em oferecer a informação proposta de forma mais acessível e compreensível - sem comprometer os envolvidos e todas as problemáticas (sentimentais ou até legais) que isso acarreta, um bom editor teria acompanhado a obra de Niepce e dado ali uns valente cortes e/ ou acrescentos. Ler este livro será um mundo novo para a maioria dos leitores, não falo do mundo da dança mas da terapia e do trauma + "a vida continua" com bexigas cheias e esvaziamentos ou falta de controlo sobre os músculos (espasticidade, clónus). É dureza ler isto, toda uma nova vida feita de vários infernos (que são realmente sempre os outros) embora seja confuso acompanhar os dramas mais específicos de Niepce devido aos "saltos narrativos" ou à falta de descrições mais específicas, sejam de relações mais pessoais (sem querer ser um voyeur sedento de sangue) ou apenas para conseguir chegar ao nome de Dergin Tokmak. Mais do que literatura factual é uma escrita do estado de espírito e sobre a capacidade de sobrevivência de uma pessoa que teve um acidente quase mortal. Gaja fodida!!

Coincidência enquanto escrevo isto, oiço o volume 22 do Godspunk (Pumf; 2021) - uma série de colectâneas DIY inglesas que mistura tudo na boa... Dub, Indie, Punk, Black Metal, Noise da treta e Harsh Noise. Neste volume a dose é dupla de CDs e no segundo disco ouve-se os UNIT - banda Punk-Hardcore com xilofone e liberto do machismo associado a este género musical - com uma música a questionar sobre os desejos sexuais dos espásticos e avisam eles que estamos apenas a uma distância de um acidente de carro para pensarmos nisso. Levam-me a relembrar que entre as dezenas de inúteis apresentações do primeiro KISMIF, a mais brilhante delas (a única de jeito mesmo) foi a apresentação de George McKay sobre a relação entre Punk e deficiência. Sacando do seu "paper": For some disabled people, punk offered expression, empowerment, visibility, humour, bad taste, and attitude, and all in a zone of socio-cultural liberation, as much as (even more than) it exploited disability or used it as a marketing strategy.

Sobre música as referências da Niepce no livro, elas são bastante "normies" - Arcade Fire (banda que deveria ser queimada), Korn (fixe se fores puto que todos os dias sonha com sexo) ou os Sinistro (o nome diz tudo)... Diana nada punk, se formos por aí. Duvido que ela alguma vez tenha sentido o apelo por esta contra-cultura e das suas consequências descritas por McKay, por exemplo. A peça que vi em 2020 e este livro são "punks", sem pejos e siga para bingo, ou pelo menos tem essa aura, sabendo que a palavra "punk" é das mais abusadas nesta década para qualquer coisa que pareça "feia" ou "suja". Essa aura se existe fez-me gostar tanto do espectáculo e também do livro, embora este último com algumas incertezas. Algumas já foram acima descritas mas a mais complicada será quando ela escreve (p.200) que um conhecido lhe disse que pelo facto de ela ter tido o acidente, é certo que teve azar mas que isso lhe trouxe visibilidade e notoriedade no meio artístico. E que ganhou uma coisa que ninguém tem - liberdade. Acrescenta que "posso ser quem eu quiser ser, que ninguém nunca vai dizer nada." Acho que na vidinha mundana e prática que levamos, percebemos tudo o que é aqui escrito, e até aceitamos e concordamos mas Niepce não aprofunda e os excertos levantam várias questões. 

Primeiro, alguém fazer uma comparação entre deficiência física com fama é de bradar aos céus, se calhar até é de ladrar aos céus! Como se uma coisa invalida ou (re)compense a outra, até porque mostra um mundinho de cristal que ignora o facto que uma artista pode ter mais tempo de antena que um vulgar cidadão só porque é artista. Não parece injusto para os "vulgares"? Já agora, nem sei se isto é verdade afinal de contas serão os programas de TV da manhã e os reality shows menos importantes que as crónicas dos besuntas do Público? Em segundo, a liberdade artística é conseguida por um acidente terrível? O que isto diz sobre o nosso estado da arte? Ou melhor ainda, o que diz sobre as pretensões e das lamentações dos artistas dos dias de hoje? O que eles querem dizer que não podem? O que tem assim tão de extraordinário para dizer que são censurados ou auto-censurados? Não dizem o quê? O que não dizem com medo de melindrar alguém do meio que tenha os cordelinhos da bolsa ou das estruturas de programação? Em terceiro, o facto de ser aleijada passa a ser imune a críticas negativas!? Não deveria. 

E já agora... o "show" dela no Teatro do Bairro Alto foi  uma seca, uma produção cosmopolita-só-porque-sim. Terá sido um trabalho pensado para a programação da casa? Não deveria ser a casa a receber apenas o trabalho da artista em estado de graça? Não digo que tenha havido influência directa e imposta da casa em si sobre a artista - seria grave, claro - o mais natural, neste século que anda mal, é que tenha sido a artista a auto-propor-se a algo estético que fizesse sentido para aquela casa de espetáculos com uma programação tão coerente. Se os artistas adaptam-se a cada novo ambiente onde estão a trabalhar, onde está essa liberdade?

quinta-feira, 15 de julho de 2021

É só vaidade (II) @ Estalo, Guimarães, 3 a 12 de Junho

Porque raios só os ricos e os famosos podem fazer lavagem de dinheiro e tráfico de influências criando as suas Fundações que rumam ao desconhecido? 

A Fundação Farrajota veio reivindicar que até os pobretanas tem direito a tal figura de entidade colectiva. Mas que faz esta Fundação? Materializa a memória do clã, recuperando arte e objectos editoriais para espaços públicos, minando a tirania da história e dos seus tristes vencedores. Em breve também editará livros de memórias criando um verdadeiro catálogo de mitomania e de desespero existencial.


Criada em 2004 para uma exposição de Arte no evento “underground” Crime Creme Doméstico, desde então pela sua sede, já passaram esposas de social-democratas, estrelas do Trap, suecos clinicamente reconhecidos como doentes mentais, anarquistas da academia, lutadoras anti-racistas como ainda industrialitas celibatários. Neste improvável “melting-pot” de pessoas criou-se uma forte rede de “contactos” que resultou finalmente numa acção oficial no inútil festival Fólio em Óbidos, em 2019, com a mostra bibliográfica “É Só Vaidade”. 


E agora, tentacularmente, ela repete a fórmula para o festival Estalo em Guimarães.





É Só Vaidade


É uma mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. É a sua segunda vida e tem o mesmo título porque os tecnocratas não têm imaginação.


Os zines são artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas de Arte e recipientes de Cultura precária. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações até aos dias de hoje de tal forma que continuam a provocar dores de cabeças a todos os que gostam de catalogações. 


Estão expostas aqui, uma série de publicações a provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra incida-se sobretudo na Banda Desenhada portuguesa, Arte constantemente mal-tratada mesmo pelas instituições públicas que a promovem, de tal forma que a FF sentiu um chamamento para esta batalha contra a ignorância!


Em Portugal, os fanzines de BD aparecem nos anos 70, muitas vezes sem o vocábulo correcto, espalhando-se em denominações como “jornal” ou “revista”. Eram geralmente criadas por colectivos de colecionadores ou em contextos escolares mas a vontade era óbvia: sair do espartilho da censura ou, depois do 25 de Abril, curtir a liberdade da Democracia.


Com o evento da cultura digital, o zine foi-se transformando, embora muitas vezes as suas características antigas reapareçam em novos formatos. É impossível não sentir um antagonismo de conceitos entre as publicações das origens até aos anos 90 e as do novo milénio. Até ao advento hegemónico do Digital, sobretudo com a omnipresença das redes sociais a tomarem conta da Internet, os zines eram produzidos por colectivos (A Vaca que veio do Espaço), a informação e crítica eram imperativos (Aleph, O Moscardo), havia uma continuidade do título com uma numeração, mesmo quando esta era muitas vezes subvertida, e usava-se a fotocopiadora do trabalho (à socapa) ou do centro de cópias para a sua reprodução. 


No mundo da cultura digital, a produção torna-se individualizada, personalizada, mais artística, sendo muitas vezes cada objecto quase único, já para não dizer que se ignora a numeração, afinal cada título é um monográfico, seguindo a lógica de um livro - ou de uma plaquete ou de livro de autor ou de artista. As tiragens baixaram porque a impressão pode ser feita na impressora caseira ou como aconteceu na última década à base da risografia. Esta última traz o calor das cores num bonito paradoxo do defeito do trabalho manual com o brilho açucarado dos ecrãs. Apesar dessa liberdade da impressão caseira, serão poucos os exemplos que a aproveitam para exagerar ou diminuir os formatos convencionais do habitual A4 (ou dobrado dando um A5), aliás, nos anos 90, o A5 torna-se regra para quem faz fanzines - o que significa na maior parte das vezes apenas uma coisa, quem edita são putos que não tem muito dinheiro.


Se o fim do zine colectivo possa significar um confinamento social das sociedades ocidentais, em compensação cada “monográfico” é um portfólio do artista, o manifesto das suas potenciais qualidades e uma cereja no topo para os leitores ousados. Apesar de ser mais fácil seduzirmo-nos por uma publicação a solo do que encontrar o artista que gostamos no meio de dezenas de páginas de uma antologia, tornou-se também mais complicado encontrar as publicações se não estas tiverem boa exposição em eventos especializados.


O digital roubou a reflexão em favor da reacção, daí que nas várias mesas da exposição queremos relembrar o sentido de missão da divulgação dessas publicações (Nemo, Cadernos da Banda Desenhada), a irreverência da experimentação (Sim/ Não), o uso de materiais pouco convencionais (106u, Sub, Succedâneo) e o uso de uma escatologia sem pudor que parece ter sido entretanto saneada nos zines, talvez porque se observa que na cultura vigente até o putedo literário actual sabe que não será multado ou preso por usar palavrões em obras literárias, “O amor é fodido”, pá! 


A quantidade de títulos com associação a “vómito” aqui presentes estão realmente balizados nos fins do século XX e no início do novo. Depois, como todos sabem, a ‘net foi inventada para vermos vídeos giríssimos de gatos, a quantidade de títulos a piscar aos amantes dos felinos rivalizam os de escatologia.


Pelo meio encontrarão objectos sobre este preciso ponto onde se encontram! A cidade de Guimarães (Garagem, Ancient Prophecy), o festival Estalo, os seus artistas convidados (André Coelho, Edgar Pêra e a Oficina Arara) e os participantes do mercado Necromancia Editorial - neste último caso, fomos às suas pré-histórias como o fanzine Zundap que deu na Imprensa Canalha ou o Clube do Inferno que agora é o Massacre. 


Estando previsto um novo número do zine Mesinha de Cabeceira, há uma mesa dedicada a esta publicação existente desde 1992, co-fundada por Marcos Farrajota e Pedro Brito. O número 30 publica uma BD da vimaranense Alexandra Saldanha, mais conhecida pela banda Unsafe Space Garden. Sim, é só vaidade…








Mesa dedicada a Guimarães e ao Estalo

Garagem #1 (Garagem, 2000), v/a

nota: revista de música que edita o primeiro disco de drum’n.bass português, de Phastmike.

- Ancient Prophecy #1 (Paulo Ribeiro; Out’96), v/a

nota: fanzine de Metal cristão

- Acto #9 (ACT; 2009), v/a

- Buraco #4 (Arara; 2012), v/a

nota: número dedicado à (des)ocupação da Es.Col.A

Mundos em Segunda Mão, vol. 2 (MMMNNNRRRG; 2015), Aleksandar Zograf

nota: “cine comics” na contracapa de Edgar Pêra

- SWR Barroselas Metalfest 18 Sticker Booklet (SWR; 2016), André Coelho

Ao Coração das Trevas (Ao Norte; 2018), André Coelho


Mesa dedicado às “pré-histórias” dos editores do Necromancia Editorial

- Estou Careca e a minha cadela vai morrer (Marco Mendes & Miguel Carneiro; Jun’05), v/a

Satélite Internacional #4/5 Sputnik (col. A Língua; Jun’05), v/a

- Tierra de Nadie (2015), Rodolfo Mariano

Surto #2 (Sarna; Jun’19), v/a

Radiation 2 (Clube do Inferno; 2014), Mao

Freak Scene #1 (Clube do Inferno; 2014), André Pereira

Zundap #11[#6?] (José Feitor; 2003?), v/a

nota: este fanzine era numerado aleatoriamente para confundir os colecionadores, yes!

Jungle Comix #1 (Rudolfo Comix; 2009), Rudolfo da Silva


Mesinha de Cabeceira 

#0 (Fc Kómix; Out’92), v/a, capa: Pedro Brito

#5 + Meseira de Cabecinha #1 (Fc Kómix; Ago’94), v/a, capas: Pedro Brito

#10 (Fc Kómix + Chili Com Carne; Nov’96), v/a, capa: Marcos Farrajota

#13 (Chili Com Carne; Out’97), “88” de Nunsky

#16 (MMMNNNRRRG; Out’02), “Super Fight II” de André Lemos

#23 (Chili Com Carne; Out’12), v/a 

nota: páginas expostas de Uganda Lebre

#29 (Chili Com Carne; Abr’21), “A Fábrica de Erisicton” de André Ferreira


Mesa de BD anos 70 a 90

O Máximo #2 (Edições Dada; Dez’75?), v/a 

nota: páginas expostas de Isabel Lobinho

O Estripador #0 (Delfim Miranda; Jan’75), v/a, capa: Fernando Relvas

Evaristo #2 (António Pereira; Mar’75), v/A, capa: Vicente Barão

Grafpopzine (Mai’88), Alice Geirinhas e João Fonte Santa

Psicose Infantil (Illegal Comix; 1991), v/a, capa: Fernando Gonçalves (?)

Pintor & meio #2 (Rodrigo Miragaia; Abr’91), v/a, capa: Rodrigo Miragaia



Mesa de BD deste milénio

-  Galante e a Mulher-Mistério, Fotonovela nº1 (Pôe-te Fino Edições Caseiras; 2011), Bruna e Carol Carvalho

Não me contes o fim!! Eles.. morrem todos. (Senhorio; 2006), Nuno de Sousa e Carlos Pinheiro

There are only seven stories in the world (O Panda Gordo; 2013), v/a

Lençóis Felizes (Happy Sunflowers Books; 2013), Van Ayres

Noberto à chuva + Noberto nas montanhas (La Pie qui Aime eles livres; 2014), Margarida Esteves

- [sem título] (2011), Lucas Almeida

BD PZL (2018), Mariana Pita

nota: BD baseada no jogo picross ou nonogram

Durty Kat #10 (Ana Ribeiro; 2018), v/a

O Gato Mariano não fez listas em 2017 (2017), Tiago da Bernarda

Cvthvus #2 (Jun’13), Chaz the cat e Gonçalo Duarte



Mesa dos Formatos e Materiais

-  Bioedificio 421 (Lök, Itália; 2012), v/a

Bactéria #10 (Francisco Vidal; 2001?), v/a, capa: Francisco Vidal

nota: capa em serigrafia com biscoito de cão em formato de osso (moído entretanto!)

Ganmse (1986), Rigo 23

Sub #8 (Pitchu; Out’99), v/a

Mix Tape (Dinamarca, 2008), Allan Haverholm

106 u #5 (Eric Bräun, Canadá; 1998?), v/a

Succedâneo #-20 (João Bragança; Jan’01), v/a

Sim / Não (1998), Geral & Derradé

nota: duas BDs que se vão concluir na página central deste “split”

Joe Índio especial Off (A Vaca Que Veio do Espaço; 1994), v/a

Chicken’s Bloody Rice #0 (Other’s Thinking Productions; Jun’03), v/a

nota: era acompanhado por um saco de plástico que continha uma perna de galinha, arroz e água colorada de vermelho, reza a lenda, que a putrefação dos materiais fez um colecionador vomitar

Pecarritchitchi #2 (Abr’04), João Bragança

nota: deverá ser o zine mais pequeno de sempre, o número anterior tinha o tamanho de um selo



Mesa da escatologia

Cona da Mão #1 (Gonçalo Pena; 1998?), v/a, capa: Gonçalo Pena

Vermental #0 (André Silva; 1995), v/a

Vómito #1 (1997?), v/a

Vomir #1 (1999), Nuno Pereira

L’Horreur est Humaine #4 (Sylvan Gérand, França; Jan’02), v/a, capa: Fredox

Puke Junk & Hit the fan (EUA; 1997), Fly

Esperma Sangrento #1 (199_?), Janus

Herpes Labial #1 (Produções de Marda; Out’97), v/a

Besta Quadrada #1 (João Fonte Santa; 1993), v/a

Besta Quadrada #3 (André Catarino & Tiago Baptista; 2008), v/a

nota: coisas que acontecem, títulos que se repetem sem os editores conhecerem o precedente, curiosamente quer Santa quer Baptista são pintores e actualmente moram a poucos mais de 5 minutos um do outro. Recentemente aconteceu algo idêntico com o “Olho do Cu”, dois editores separados por 10 anos mas ambos moradores da mesma região, em Abrantes.



Mesa dos Fanzines de crítica e Meta 

- Aleph #2 (José Morais C. de Faria; Mar’74), v/a

nota: número em que se dá uma virada maoísta no colectivo, conforme a moda da altura

Cadernos da Banda Desenhada #2 (Catarina Labey; Mar’97), especial Jayme Cortez

Nemo #26 (2ª série, Manuel Caldas; Jun’97), v/a

O Moscardo #1 (Jun’90), Arlindo & Jorge Guimarães

nota: talvez o único fanzine de crítica de BD em Portugal, sobreviveu diatribes, dois números e um suplemento

Expofanzines 2001 (Colectivo Phanzynex, Galiza; Jul’01), catálogo

Fan Catalog (CM de Almada; 2008), catálogo

nota: além da entrada da publicação recebida nesta mostra também é mostrada as embalagens de como foram enviadas

My Precious Things #9 (Fc Kómix; Out’98?), v/a

nota: newsletter de críticas a edições independentes e catálogo da Distribuidora Esquilo GIGANTE.

- Portuguese Small Press Yearbook (Catarina Figueiredo Cardoso; 2018), v/a

nota: especial BD

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Tim Burgess : Telling Stories (Viking / Penguin; 2012)

Enquanto toda a malta que é malta fala do Punk ou o Metal como o género de música que lhes bateu mais, para abrir o terceiro olho (já lá vamos) daqui deste lado devo dizer que foi a onda "Madchester" que me fez curtir música de forma séria pela primeira vez  na vida sendo eu na altura um consumidor ignorante de Top+ e o que ouvia num subúrbio de gente parva (Cascais). O punk acontece "alguns meses mais tarde" depois de curtir aquele Pop dançável e orelhudo da terra dos bifes - e depois foi tudo ao mesmo tempo: Industrial, Gótico, Metal, Hip Hop, Rave, Grind, Crust, yo! Por isso, quem me conhece mal, acha um bocado estranho eu ter uma anca de dança pelos Stones Roses e Happy Mondays invés de me babar por Napalm Death ou The Cure como qualquer outra pessoa interessante. Desculpem...

Cheguei aos Charlatans quando a Megastore da Valetim de Carvalho do Chiado abriu (?) e andou a oferecer com o jornal Blitz quatro vinis à escolha - podia-se escolher um dos quatro. Não sei como consegui um duplo dos sensíveis This Mortal Coil e outro LP de estreia destes ingleses - devo ter comprado dois exemplares do jornal? As outras opções acho que eram as Throwing Muses e Fields of Nephilim... alguém se lembra desta campanha incrível dos anos 90? 

Bom, o disco era fixe e ainda hoje o oiço com regularidade mas curiosamente nunca mais pensei neles, ou seja, ir ouvir outros discos porque até apareceu a 'net que permitia isso. Aliás, nem sabia que eles tinham mais uma dúzia de discos de originais e que foram várias vezes aos Tops 10 das vendas, uau! Caguei mesmo para o mundinho mainstream há muito tempo. Ouvindo esta semana os discos em linha, também percebi que não perdi nada. 

Encontrei este livro da Bivar, uma curiosidade para ler no Verão. Aquela leiturinha leve que se quer de vez em quando. No fim-de-semana passado fui para fora e apanhei um incêndio que me reteve duas horas no comboio. Quase li o livro todo mas estava a ver a coisa mal parada - literalmente. Logo o que o burgesso do Tim escreve no primeiro capítulo do livro é sobre o seu penteado e o seu estilo de vestuário. Foda-se! Depois são as suas memórias que achei piada ler por nostalgia pura e dura, nada mais, tudo é medíocre. Nada de excitante: sexo é zero - o Tim não passa de um "normie" -, drogas muitas e fiquei a saber que coca tomada analmente dá grande pedalada (e ele explica como se faz, o que obriga a duas pessoas na operação), e rock'n'roll... bóf, a banda é Pop, convenhamos, que nem se distingue dos Stone Roses se não fosse o orgão. 

Ah! Há a história do organista Rob Collins que se envolveu num assalto à mão armada é aqui explicada e desculpada, sei lá, no fim a conclusão que isto é só mais uma cambada de toinos que ainda pergunto como aparecem tantas referência aos Crass quando estes gajos são apenas mais uma grupeta de putos egoístas e inúteis. Putos? Bem... hahahaha, o  livro é de 2012 e já há fotos do Tim Burgesso mal-envelhecido a tocar bongos com ar de Hippie tardio e a fazer meditação transcendental, arrependido de ter sido um merdas na sua vida adulta toda. 

Fico a pensar como tive uma vida muito mais rica do que este Rock-Star. O livro vai voltar à Bivar, quem quiser se divertir um coche pela uva mijona. Não me arrependo de ter escolhido o Some Friendly (Dead Dead Good / Situation Two / Beggars Banquet; 1990) invés dos Nephilim...

PS - Entretanto, passei pela Neat Records e ficou por lá...

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Comix-Remix-Snif-Snif

 


Saiu o #60 da revista Kuti e no seu editorial relembram ao seu fiel público dos meus textos sobre "Comix Remix" (ler em português aqui e aqui). Quase que chorei...

Não esquecendo que os textos foram recuperados há pouco tempo naquele monstrinho que até ganhou prémio em Angoulême...

quinta-feira, 27 de maio de 2021

É só Vaidade (outra vez mas diferente)




A Chili Com Carne, com a parceria dos Discos de Platãovai regressar com o seu Mercado de Edições Independentes NECROMANCIA EDITORIAL, cuja última edição foi no Milhões de Festa de 2018!!

Mantemo-nos no Norte e assim sendo no Sábado de dia 5 de Junho estaremos no ESTALO!, um evento a acontecer no Instituto de Design de Guimarães, que inclui exposição, filmes e concertos. O horário será entre as 11h e as 19h. 

Estão confirmadas a presença dos seguintes editores: Associação Chili Com Carne + MMMNNNRRRG (2000-20), Atelier Arara + Favela + Fojo + Gabinete Paratextual + O Gorila + Sonoscopia, Bestiário, Discos de Platão + Sarna, Erva Daninha + Massacre, Imprensa Canalha, Palpable Press e Rodolfo Mariano.

Este mercado apresenta o melhor que se produz em zines, revistas, livros, k7s, discos, ou seja a "edição independente" que luta contra a estupidificação do mercado da cultura.

Venham porque já está tudo bem!


Novidades editoriais:

- Fosso #1 (Imprensa Canalha), de José Feitor
- M.A.L. vol. 000, de Rodolfo Mariano
- Pentagrama #0 (Mãotanha Livros), de Rodolfo Mariano
- Querosene (Chili Com Carne), v/a
Swallow the Universe de João Caridade
- Tumulto (Imprensa Canalha), de José feitor


 





De resto, o ESTALO terá uma exposição de originais de André Coelho (Terminal Tower e Acedia) intitulada Território - Término e uma mostra bibliográfica da Fundação Farrajota que volta a ser É só vaidade!



Mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. Podemos considerar os zines como um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas e precárias, reações à tirania da História. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações mas continuam a provocar dores de cabeças a todos que gostam de gavetas certinhas. Estarão expostas uma série de publicações para provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra irá-se incidir sobretudo na BD.

sábado, 22 de maio de 2021

Fuck you all, é um dos melhores discos de Rock de sempre!

 


É uma merda ser kota vindo dos anos 90, não tinha guito e foi tudo ouvido em k7s manhosas, álbuns incompletos, tudo manhoso! Agora que tenho guita, YES!, posso comprar os CDs que quiser e recuperar discos do caralho, fuck you all!!! 

Fontanelle (Reprise; 1992) das Babes in Toyland é um power que está lado-a-lado com qualquer Nirvana ou Big Black. Aliás, desde este disco que não há Rock assim!!! Um dia volto a isto menos excitado!

Desculpem, podem voltar ao vosso Netflix e outras punhetas...

PS - 'pera lá, vendo a ficha técnica, finalmente, topo que a produção esteve a cargo de um Sonic Youth (Lee Ranaldo) , o "mixing" por um Skinny Puppy (Dave Ogilvie) e a "masterização" a cargo de Howie Weinberg que já trabalhou para tudo que é gato sapato neste planeta Pop, da Madonna ao "grande poeta de Chicago" (cóf cóf cóf). Isto explica o disco ser uma bujarda? Mas que significa também que afinal é um grande artifício?

PPS - ouvindo o álbum de estreia Spanking Machine (Twin/Tone; 1990) que elas já eram boas mas realmente o som é mais garage ou o que seria o Grunge. Fontanelle é outro campeonato, parece uma ópera de punks, tal é a forma como os vocais são esticados e dramatizados. Musicalmente é mais rico, com breaks e momentos Dark, como o instrumental Quiet Room. Sim, há qualquer coisa de Skinny Puppy apesar de estarmos em terrenos Rock.

PPPS - Nemesisters (Reprise; 1995) pode ser um grande título para disco mas é um bocado chato e paradoxal, tanto mantem as características da banda que tanto correm muito bem como parece uma caricatura grunge sacada ao Hate do Peter Bagge, como experimentam cenas que não tem interesse nenhum como fazer uma péssima e irónica (?) versão de We are Family das Sister Sledge, o que se tornou um paradigma nos anos 90 para bandas esgotadas de ideias. Se calhar este é o famoso "díficil segundo álbum" da banda - embora seja o terceiro, arf arf arf... Ainda assim rocka só que uma hora de disco para este tipo de som não resulta, especialmente com a palha metida pró fim.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Trabalha, malandra!

 


Alexandra Saldanha invés de estar a fazer a BD para o próximo número do Mesinha de Cabeceira, distrai-se a ler números antigos! Ainda por cima daqueles números do kota Farrajota. 'Tá provado que a BD é dissuasor da produtividade e promove a procrastinação. Assim não dá, chavala! Entretanto, topem o novo disco da sua banda Unsafe Space Garden...

segunda-feira, 3 de maio de 2021

sábado, 24 de abril de 2021

Que giro!



Apesar da Neat Records ser especialista em Punk e derivados, de lá tenho é trazido pérolas sessenteiras & psicadélicas mais que rock com picos. Primeiro choque, o primeiro álbum dos Alice Cooper. Que apesar do vocalista já assinar com esse nome ainda era uma banda - pois, o Marilyn Manson não inventou nada. Pretties for you lançado em 1969 é um choque não porque já haja aqui Hard Rock / Shock Rock / Arena Rock que se conhece de Alice Cooper e as suas jiboias em palco, mulheres decapitadas e outros truques de palco mas porque é um álbum de rock psicadélico, até convencional, porreiro, orelhudo e com pedaços estranhos de "experimentalismo". Mais para Pink Floyd ou Beatles do que que Black Sabbath ou Steppenwolf. Mesmo a capa de Ed Beardsley engana, parece mais um disco de post-punk tipo Gang of Four do que dos anos 60 e a sua estética ácida. Dizem que o Frank Zappa foi o produtor mas que não produziu nada, aparece que despareceu enquanto gravavam e quando voltou disse que 'tava feito. Por acaso o disco é muito cru - os Beatles ou Pink Floyd não teriam um disco assim - mas justamente por isso que soa bem, som bonitinho Poppy mas com uma sujidade entranhada tipo caspa, unhas sujas, cuecas borradas, ramelas, cera nos ouvidos e ranho. Depois disso, os discos da banda e vocalista perderão interesse apesar da sua importância juvenil que teve ao longo dos anos 70 e depois disso - de Ramones a Rob Zombie, dos Sex Pistols aos Guns'n'Roses... E a Queens of The Stone Age - soam bués a este disco...




Cauldron é um álbum de 1968, o único dos Fifty Foot Hose e percebe-se porque se transformou num disco de culto para gente como os Throbbing Gristle. Se aparentemente o disco promete psicadelismo simpático tipo Jefferson Airplane com um uso da Electrónica possível na altura - tal como os seus contemporâneos White Noise ou Silver Apples também começam a explorar - aos poucos o disco vai-se transformando num pequeno monstro de transístores torturados, sons cósmicos e Noise Rock antes do tempo. Uma reedição de 1996 que inclui faixas raras, então, dá a impressão que foi mesmo preciso limpar o experimentalismo barulhento da banda antes de gravar um disco prás prateleiras do comércio. GRANDA-MALUCOS!

terça-feira, 6 de abril de 2021

#29: A Fábrica de Erisicton

 


O fanzine Mesinha de Cabeceira voltou numa onda de "back to the basics" após cinco anos de ausência. Este retorno às origens humildes de uma tiragem baixa de 100 exemplares, como fanzine / zine / perzine (riscar o que não interessa), tal como em 1992 (ano do primeiro número) tem a razão de ser para dar voz a autores desconhecidos / novos / fora de qualquer radar (riscar o que não interessa).

Começamos com A Fábrica de Erisicton de André Ferreira que é uma BD eco-psicadélica inesperada sobre a destruição do Alentejo pelas culturas super-intensivas que se praticam. O grafismo é tão naíf como visionário, com poucos sítios para segurarmo-nos se não fosse o facto da mensagem ser tão desesperante. O aviso já pouco serve, o Destino está traçado, como se vê nestes anos estranhos que vivemos, em que nada mudou em termos de atitude ecológica, a borregada quer é viajar e poluir. 

Resta-nos estes pedaços de arte colorida e imaginativa em singelas 24 páginas. 
Obrigado André!



Mesinha de Cabeceira #29, edição da Chili Com Carne, Abril 2021, 24p a cores 18x25 cm, capa a cores, 100exemplares.



ESGOTADO, ainda devem encontrar exemplares na Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Alquimia e na ZDB.



sobre o autor: faz música sob o nome de Goran Titol - que poderá participar este ano numa colectânea da nossa série Música Portuguesa a Melhora-se Dela Própria -  animação em técnica de "stop-motion" com ajuda da Mãe Natureza e é autor da BD tendo participado na antologia Venham +5 e com o livro a solo Ouro Formigas (2013), ambos publicados pela Bedeteca de Beja.


 FEEDBACK: 

Panfleto libelo anti-destruição da natureza em nosso torno, disfarçado de reconto mitográfico psicadélico (...), breve passeio alucinado que deveria antes servir de guia para redescoberta da nossa paisagem e manual de instruções para a sua recuperação... 

segundo a Tinta Nos Nervos 


 Fico espantado com a quantidade gigantesca de livros que são publicados actualmente. Florestas inteiras de papel impressas com todo o tipo de inanidades e de vacuidade. A esmagadora maioria vai, certamente, acabar nas debulhadoras de reciclagem, resultado da mais completa indiferença e esquecimento. 

No entanto, as paredes e sombras erguidas por estes livros inanes ocultam e obliteram os outros livros que valem a pena a ler, soterrando-os para os confins da vista. A Fábrica de Erisicton é um manifesto eco-activista inspirado no livro VIII das "Metamorfoses" de Ovídio, baseando-se na história da mitologia grega do rei Erisicton que depois de cortar com um machado uma árvore sagrada, é castigado com uma fome insaciável, que o vai obrigar a devorar-se a si próprio. 

A sobre-exploração dos recursos e da terra pelas culturas intensivas que se multiplicaram na paisagem alentejana, são o pano de fundo desta metáfora desencantada. 

O desenho colorido psicadélico e naif de André Ferreira, profundamente poético sem ser panfletário, devolve-nos uma imagem irreal e delirante, mas simultaneamente tão próxima e implacável, resultante de um capitalismo tardio, cujo último estertor prolonga-se agonizante, mas sem permitir vislumbrar o que se seguirá. 

Como assinalou Mark Fisher "o capitalismo está de facto talhado para destruir todo o meio humano. A relação entre capitalismo e desastre ecológico não é uma coincidência nem um acidente: a «necessidade de um mercado em constante expansão» do capital, o seu «fetiche do crescimento», significa que o capitalismo se opõe pela sua própria natureza a qualquer conceito de sustentabilidade." 

Com toneladas de livros inúteis espalhados por todo o lado, a edição de singelos 100 exemplares de A Fábrica de Erisicton está esgotada, o que se lamenta, pois este volume devia estar permanentemente disponível e com o autor em digressão ininterrupta pelas escolas, integrando um plano de leituras e de discussão transversal a diversas disciplinas curriculares.

My Nation Underground



Entrevista no P3 / Público

quarta-feira, 31 de março de 2021

Punk DVD


Desconhecia totalmente este filme / documentário, The Punk Rock Movie, de Don Letts, originalmente de 1978 e entretanto com uma dezena de edições audio-visuais com capas terríveis - é o caso desta edição da JGS de 20__? - e o som falsificado com gravações de estúdio dos temas (idem com esta edição). Sim, na essência são gravações de concertos de Letts - o famoso DJ  que solidificou a ligação do Punk aos sons jamaicanos - nos 100 dias de existência do The Roxy, mítico clube londrino de Punk Rock. 'Tá cá toda a gente da altura em performances quase sempre chatas, sobretudo os vocalistas que nunca sabem o que fazer quando não cantam. Aliás, percebe-se porque os Sex Pistols serão sempre os melhores desta colheita, Rotten está sempre a cantar e/ou a fazer caronhas, e isso ajuda imenso a ouvir Rock tosqueira! Depois há gajos a chutar heroína ou a auto-mutilarem-se no peito. Impressiona. Não convém estar a almoçar a ver isto. Curioso isto tudo, foi noutra era. Seguimos em frente!

Gracias Patrícia!

Superturunen!!!!!!!!!!!!!!!!


Dekathlon é um dos seis gajos (?) de Circle a fazer Synth-pop-wave-whatever tal como há outros gajos da banda a fazerem outras mil e uma coisas... Prontos deu para isto. Be Safe / Comfort Zone (Fell Contact / 2019) é um 7" cor de laranja e isso é um ponto positivo. O outro ponto positivo é a capa do grande Marko Turunen, um autor de BD e ilustrador finlandês impossível de não amar. A música é abaixo de cão, ou o resultado quando ex-metaleiros se aborrecem, deixando um rastro de destruição que queima a vida, a arte e tudo o mais o que interessa. Vão ouvir Human League ou Depeche Mode invés, aqui perde-se tempo, pouco.. porque é um single.

Kiitos Superturunen!

terça-feira, 23 de março de 2021

sábado, 13 de março de 2021

CIA info 90.0

 


Desenho para o próximo disco dos The Dirty Coal Train, os únicos punks garageiros tugas fixes! Acho que os camaradinhas Pedro Brito e João Maio Pinto também irão contribuir com ilustras.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Light Metal! Light Metal?

 


Quando abri o pacote de Natalixo atrasado que o Pastor Gaiteiro enviou no outro dia, quase que me vim ao ver o CD Light Metal (auto-edição; 1998)! Light Metal? Versões em tuba de clássicos do Metal? Como os Alice Donut faziam? (olha bandinha completamente e injustamente esquecida!). 

Nada disso, Tubalaté é um quarteto de ingleses pervertidos (todos os ingleses o são, bem sei da redundância da frase) que tocam tubas de peças de Tchaikovsky aos Beatles, de forma agradável, leve e tal. Tão agradável e leve tal como despreocupados que o CD nem está masterizado e para o fim o volume do som vai baixando, quase parecendo que estamos a a ouvir The Caretaker. Ainda assim obriga a um gajo a levantar-se do sofá, interrompendo a impreterível leitura de literatura anarquista, para ir aumentar o som e conseguir ouvir o disco como deve ser.

"Light Metal" no entanto - não se riam - existe, lembro da existência dos H.I.M. e dos Ghost. Há historial! Não me lixem!

domingo, 31 de janeiro de 2021

Perkele!



Lançado em Dezembro de 2019 eis que o THE THICK BOOK OF KUTI que comemora os 50 primeiros números do jornal / revista de BD Kuti, ganhou o Prémio de BD Alternativa do Festival de Angoulême!!!

Editado por Tuomas Tiainen e Heikki Rönkkö, participo com o artigo "Comix Remix" (ler aqui e aqui) em inglês, neste tijolo de 480 páginas sou com o André Lemos, os únicos portugueses publicados entre gente como Sami Aho, Max Baitinger, Zven Balslev, Benjamin Bergman, Pakito Bolino, Lilli Carré, Anna Deflorian, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Frédéric Fleury, Aisha Franz, Matti Hagelberg, Anna Haifisch, Jyrki Heikkinen, Alejandro Jodorowsky, Bendik Kaltenborn, Kapreles, David Kerr, Marlene Krause, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Lilli Loge, Gunnar Lundkvist, Moolinex, Søren Mosdal, Jérôme Mulot, Tommi Musturi, Pauliina Mäkelä, Jyrki Nissinen, Pentti Otsamo, Ville Ranta, Aapo Rapi, Kati Rapia, Helge Reumann, Sam Rictus, Florent Ruppert, Anna Sailamaa, Olivier Schrauwen, Tiitu Takalo, Rui Tenreiro, Alessandro Tota, Katja Tukiainen, Marko Turunen, Brecht Vandenbroucke, Amanda Vähämäki, Mikko Väyrynen, Emelie Östergren... ufa... e ainda há muito mais!