

Fundado por Pedro Brito e Marcos Farrajota em 1992, este zine de BD é um projecto mutante que começou em fotocópia, passou pelo "perzine" (com as autobiografias de Farrajota), monografias (Nunsky, Isabel Carvalho, Mike Diana, André Lemos, João Maio Pinto) e edições colectivas. Desde 2021 que voltámos às bases, publicando monográficos de novos talentos, projectando-os prá praça pública.


Desta vez levei o pirateado CD pela Radioactive (2006), do único LP dos Hot Poop, Does their own stuff de 1971. Auto-editado pela banda, tem um som "freak" na onda de gozo Zappiano em que tanto se ouve Beatles, Janis Joplin, Nancy Sinatra ou Beach Boys em absoluto cinismo em relação aos anos 60 Flower Power.
O disco é conhecido mais pelas suas capas sequenciais. A capa num plano vemos o destinos dos dejectos humanos da banda: a sua produção, a distribuição, a confeição, a injecção e a morte por seres um drogado de merda - literalmente. Também inexplicável é a contra-capa em que se vê a banda acompanhada por burros (e mulas) seguida por outra foto "imediata" deles a exporem-se num nu frontal mas com os sexos trocados dos quatro gajos e uma gaja. Malta com piada, sem dúvida. Precedem o humor Punk que virá em poucos anos à frente mas sobretudo mostra que já houve décadas mais divertidas do que a nossa.
Como escrevi numa resenha a uma k7 no penúltimo número d'A Batalha: O Rock nasceu negro nos anos 50, foi adoptado por padrastos brancos, começou a namorar aquela que viria a ser a sua companheira prá vida, a Pop. Até tomaram drogas psicadélicas juntos nos anos 60. Depois ficou adulto e responsável (Prog), teve um filho anarca (Punk), nados-mortos (Metal) e bastardos (Industrial) e sendo entretanto um «ok, boomer» perdeu-se nos anos da web 2.0. Claro que quer deixar rasto na História e meteu-se a fazer museus e deixou que lhe escrevessem epitáfios. Sem «gigs» em 2020, morreu no centro de dia porque o Estado não tem paciência para velhos. Em Guimarães, Porto e Almada até fizeram livros luxuosos com prefácios dos mercenários Rui Moreira ou Inês de Medeiros (...) - estes últimos respectivamente nos catálogos Musonautas: Visões & Avarias : 1960-2010 : 5 Décadas de Inquietação Musical no Porto (Galeria Municipal do Porto; 2019) e Margem : Uma História do Rock (Museu da Cidade de Almada; 2019).
O prefácio de Medeiros é a hipocrisia com todo o charme. Se a capa e a primeira foto que se encontram no livro é dos putos a atirarem-se dos balcões de Ratos de Porão em 1994, não convém esquecer que a senhora afirmou que o Rock não entraria mais na sala de espetáculos onde aconteceu o mítico concerto - o Incrível Almadense. Revela estar contentinha pela exposição, que esteve patente em 2019, por ter batido o recorde de entradas de público no Museu da Cidade. Uma foto do belo concerto dos Mudhoney deveria lembrar que até à pandemia acontecer em 2020 não havia um sítio decente na cidade inteira para as bandas tocarem em condições. Pois é filhota, o que vale é que as pessoas esquecem-se de tudo e os kotas do Rock devem voltar a votar em ti por os ter metido num livro em formato superior A4, talvez para não ser tão foleiro como objecto de design - é luxuoso q.b. mas não tem a aristocracia dos Musonautas - já lá iremos... Neste Na Margem há textos a pensar sobre a museificação do Rock por Vítor Belanciano e as normais cronologias desta música mais a indexação da memorabilia da exposição, desde pulseiras de picos de Black Metaleiros a fanzines de BD como o Hips! de Nuno Saraiva & cia, bem como uma divertida BD pós-moderna de seis páginas de Miguel Fonseca e Rui Amaral feita em 1987 - um caso raro de contemporaneidade na BD portuguesa, diga-se de passagem mesmo que em contexto escolar - e que deu origem nos Thormenthor. Ah! e também as discografias das bandas do concelho e essas coisas todas e ao contrário do Porto, assumem aqui a existência da música pesada Punk / Hardcore / Metal. Um manancial para os historiadores do Futuro. Um trabalho bem feito, sem crítica como as instituições gostam. Epá, e topo da cereja é que já faço parte da bibliografia da história desta merda do rock tuga, ena! Vou mudar o meu nome para Múmia Farrajota.O Musonautas é outro patamar, não fosse o Porto e o que significa, a segunda mais importante cidade portuguesa e como tal berço de artistas e cultura. claro que começa mal com o editorial de quem dá o carcalhol, o actual presidente da câmara Rui Moreira, a dar em nostalgia e a falar dos seus negócios de família. Dá tudo a perder mas felizmente a fantástica documentação, a abrangência do livro (não é só sobre Rock, trata de música contemporânea, neo-clássica, popular, da imprensa, enfim quase tudo), as intervenções dos seus vários escritores e o design gráfico fazem disto uma peça histórica que Lisboa com o "Merdina" nunca poderá ter tal documento. Se calhar ainda bem, se fosse a actual Vereação da Culltura só se poderia esperar murais de homenagem ao Zé Pedro ou ao Ribas poluindo as últimas paredes de Lisboa que restam.Falhas, algumas, o texto sobre o Hip Hop é fraco - e preocupante como a Matarroa é mal lembrada - e o Heavy Metal é quase ignorado - só não é porque o Gustavo Costa é um músico respeitável do mundo do Experimental e Improv, e que teve nas suas origens bandas como os Genocide. É ainda acompanhado por um CD (aprende Almada!) com raridades musicais para todos os gostos - Hospital Psiquiátrico finalmente com bom som -, pena não tem um alinhamento cronológico para se sentir um evoluir dos sons - dos estilos à gravação. Aliás, não é à toa que o disco acaba com a sensação que os Dealema (e o Hip hop) continua a ser um guetho musical. Para a próxima contacte-me que eu sei fazer isso bem.
Aaaaaaah... foi uma bela época. RIP Rock!

Porque raios só os ricos e os famosos podem fazer lavagem de dinheiro e tráfico de influências criando as suas Fundações que rumam ao desconhecido?
A Fundação Farrajota veio reivindicar que até os pobretanas tem direito a tal figura de entidade colectiva. Mas que faz esta Fundação? Materializa a memória do clã, recuperando arte e objectos editoriais para espaços públicos, minando a tirania da história e dos seus tristes vencedores. Em breve também editará livros de memórias criando um verdadeiro catálogo de mitomania e de desespero existencial.
Criada em 2004 para uma exposição de Arte no evento “underground” Crime Creme Doméstico, desde então pela sua sede, já passaram esposas de social-democratas, estrelas do Trap, suecos clinicamente reconhecidos como doentes mentais, anarquistas da academia, lutadoras anti-racistas como ainda industrialitas celibatários. Neste improvável “melting-pot” de pessoas criou-se uma forte rede de “contactos” que resultou finalmente numa acção oficial no inútil festival Fólio em Óbidos, em 2019, com a mostra bibliográfica “É Só Vaidade”.
E agora, tentacularmente, ela repete a fórmula para o festival Estalo em Guimarães.
É Só Vaidade
É uma mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. É a sua segunda vida e tem o mesmo título porque os tecnocratas não têm imaginação.
Os zines são artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas de Arte e recipientes de Cultura precária. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações até aos dias de hoje de tal forma que continuam a provocar dores de cabeças a todos os que gostam de catalogações.
Estão expostas aqui, uma série de publicações a provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra incida-se sobretudo na Banda Desenhada portuguesa, Arte constantemente mal-tratada mesmo pelas instituições públicas que a promovem, de tal forma que a FF sentiu um chamamento para esta batalha contra a ignorância!
Em Portugal, os fanzines de BD aparecem nos anos 70, muitas vezes sem o vocábulo correcto, espalhando-se em denominações como “jornal” ou “revista”. Eram geralmente criadas por colectivos de colecionadores ou em contextos escolares mas a vontade era óbvia: sair do espartilho da censura ou, depois do 25 de Abril, curtir a liberdade da Democracia.
Com o evento da cultura digital, o zine foi-se transformando, embora muitas vezes as suas características antigas reapareçam em novos formatos. É impossível não sentir um antagonismo de conceitos entre as publicações das origens até aos anos 90 e as do novo milénio. Até ao advento hegemónico do Digital, sobretudo com a omnipresença das redes sociais a tomarem conta da Internet, os zines eram produzidos por colectivos (A Vaca que veio do Espaço), a informação e crítica eram imperativos (Aleph, O Moscardo), havia uma continuidade do título com uma numeração, mesmo quando esta era muitas vezes subvertida, e usava-se a fotocopiadora do trabalho (à socapa) ou do centro de cópias para a sua reprodução.
No mundo da cultura digital, a produção torna-se individualizada, personalizada, mais artística, sendo muitas vezes cada objecto quase único, já para não dizer que se ignora a numeração, afinal cada título é um monográfico, seguindo a lógica de um livro - ou de uma plaquete ou de livro de autor ou de artista. As tiragens baixaram porque a impressão pode ser feita na impressora caseira ou como aconteceu na última década à base da risografia. Esta última traz o calor das cores num bonito paradoxo do defeito do trabalho manual com o brilho açucarado dos ecrãs. Apesar dessa liberdade da impressão caseira, serão poucos os exemplos que a aproveitam para exagerar ou diminuir os formatos convencionais do habitual A4 (ou dobrado dando um A5), aliás, nos anos 90, o A5 torna-se regra para quem faz fanzines - o que significa na maior parte das vezes apenas uma coisa, quem edita são putos que não tem muito dinheiro.
Se o fim do zine colectivo possa significar um confinamento social das sociedades ocidentais, em compensação cada “monográfico” é um portfólio do artista, o manifesto das suas potenciais qualidades e uma cereja no topo para os leitores ousados. Apesar de ser mais fácil seduzirmo-nos por uma publicação a solo do que encontrar o artista que gostamos no meio de dezenas de páginas de uma antologia, tornou-se também mais complicado encontrar as publicações se não estas tiverem boa exposição em eventos especializados.
O digital roubou a reflexão em favor da reacção, daí que nas várias mesas da exposição queremos relembrar o sentido de missão da divulgação dessas publicações (Nemo, Cadernos da Banda Desenhada), a irreverência da experimentação (Sim/ Não), o uso de materiais pouco convencionais (106u, Sub, Succedâneo) e o uso de uma escatologia sem pudor que parece ter sido entretanto saneada nos zines, talvez porque se observa que na cultura vigente até o putedo literário actual sabe que não será multado ou preso por usar palavrões em obras literárias, “O amor é fodido”, pá!
A quantidade de títulos com associação a “vómito” aqui presentes estão realmente balizados nos fins do século XX e no início do novo. Depois, como todos sabem, a ‘net foi inventada para vermos vídeos giríssimos de gatos, a quantidade de títulos a piscar aos amantes dos felinos rivalizam os de escatologia.
Pelo meio encontrarão objectos sobre este preciso ponto onde se encontram! A cidade de Guimarães (Garagem, Ancient Prophecy), o festival Estalo, os seus artistas convidados (André Coelho, Edgar Pêra e a Oficina Arara) e os participantes do mercado Necromancia Editorial - neste último caso, fomos às suas pré-histórias como o fanzine Zundap que deu na Imprensa Canalha ou o Clube do Inferno que agora é o Massacre.
Estando previsto um novo número do zine Mesinha de Cabeceira, há uma mesa dedicada a esta publicação existente desde 1992, co-fundada por Marcos Farrajota e Pedro Brito. O número 30 publica uma BD da vimaranense Alexandra Saldanha, mais conhecida pela banda Unsafe Space Garden. Sim, é só vaidade…
Mesa dedicada a Guimarães e ao Estalo
- Garagem #1 (Garagem, 2000), v/a
nota: revista de música que edita o primeiro disco de drum’n.bass português, de Phastmike.
- Ancient Prophecy #1 (Paulo Ribeiro; Out’96), v/a
nota: fanzine de Metal cristão
- Acto #9 (ACT; 2009), v/a
- Buraco #4 (Arara; 2012), v/a
nota: número dedicado à (des)ocupação da Es.Col.A
- Mundos em Segunda Mão, vol. 2 (MMMNNNRRRG; 2015), Aleksandar Zograf
nota: “cine comics” na contracapa de Edgar Pêra
- SWR Barroselas Metalfest 18 Sticker Booklet (SWR; 2016), André Coelho
- Ao Coração das Trevas (Ao Norte; 2018), André Coelho
Mesa dedicado às “pré-histórias” dos editores do Necromancia Editorial
- Estou Careca e a minha cadela vai morrer (Marco Mendes & Miguel Carneiro; Jun’05), v/a
- Satélite Internacional #4/5 Sputnik (col. A Língua; Jun’05), v/a
- Tierra de Nadie (2015), Rodolfo Mariano
- Surto #2 (Sarna; Jun’19), v/a
- Radiation 2 (Clube do Inferno; 2014), Mao
- Freak Scene #1 (Clube do Inferno; 2014), André Pereira
- Zundap #11[#6?] (José Feitor; 2003?), v/a
nota: este fanzine era numerado aleatoriamente para confundir os colecionadores, yes!
- Jungle Comix #1 (Rudolfo Comix; 2009), Rudolfo da Silva
Mesinha de Cabeceira
#0 (Fc Kómix; Out’92), v/a, capa: Pedro Brito
#5 + Meseira de Cabecinha #1 (Fc Kómix; Ago’94), v/a, capas: Pedro Brito
#10 (Fc Kómix + Chili Com Carne; Nov’96), v/a, capa: Marcos Farrajota
#13 (Chili Com Carne; Out’97), “88” de Nunsky
#16 (MMMNNNRRRG; Out’02), “Super Fight II” de André Lemos
#23 (Chili Com Carne; Out’12), v/a
nota: páginas expostas de Uganda Lebre
#29 (Chili Com Carne; Abr’21), “A Fábrica de Erisicton” de André Ferreira
Mesa de BD anos 70 a 90
- O Máximo #2 (Edições Dada; Dez’75?), v/a
nota: páginas expostas de Isabel Lobinho
- O Estripador #0 (Delfim Miranda; Jan’75), v/a, capa: Fernando Relvas
- Evaristo #2 (António Pereira; Mar’75), v/A, capa: Vicente Barão
- Grafpopzine (Mai’88), Alice Geirinhas e João Fonte Santa
- Psicose Infantil (Illegal Comix; 1991), v/a, capa: Fernando Gonçalves (?)
- Pintor & meio #2 (Rodrigo Miragaia; Abr’91), v/a, capa: Rodrigo Miragaia
Mesa de BD deste milénio
- Galante e a Mulher-Mistério, Fotonovela nº1 (Pôe-te Fino Edições Caseiras; 2011), Bruna e Carol Carvalho
- Não me contes o fim!! Eles.. morrem todos. (Senhorio; 2006), Nuno de Sousa e Carlos Pinheiro
- There are only seven stories in the world (O Panda Gordo; 2013), v/a
- Lençóis Felizes (Happy Sunflowers Books; 2013), Van Ayres
- Noberto à chuva + Noberto nas montanhas (La Pie qui Aime eles livres; 2014), Margarida Esteves
- [sem título] (2011), Lucas Almeida
- BD PZL (2018), Mariana Pita
nota: BD baseada no jogo picross ou nonogram
- Durty Kat #10 (Ana Ribeiro; 2018), v/a
- O Gato Mariano não fez listas em 2017 (2017), Tiago da Bernarda
- Cvthvus #2 (Jun’13), Chaz the cat e Gonçalo Duarte
Mesa dos Formatos e Materiais
- Bioedificio 421 (Lök, Itália; 2012), v/a
- Bactéria #10 (Francisco Vidal; 2001?), v/a, capa: Francisco Vidal
nota: capa em serigrafia com biscoito de cão em formato de osso (moído entretanto!)
- Ganmse (1986), Rigo 23
- Sub #8 (Pitchu; Out’99), v/a
- Mix Tape (Dinamarca, 2008), Allan Haverholm
- 106 u #5 (Eric Bräun, Canadá; 1998?), v/a
- Succedâneo #-20 (João Bragança; Jan’01), v/a
- Sim / Não (1998), Geral & Derradé
nota: duas BDs que se vão concluir na página central deste “split”
- Joe Índio especial Off (A Vaca Que Veio do Espaço; 1994), v/a
- Chicken’s Bloody Rice #0 (Other’s Thinking Productions; Jun’03), v/a
nota: era acompanhado por um saco de plástico que continha uma perna de galinha, arroz e água colorada de vermelho, reza a lenda, que a putrefação dos materiais fez um colecionador vomitar
- Pecarritchitchi #2 (Abr’04), João Bragança
nota: deverá ser o zine mais pequeno de sempre, o número anterior tinha o tamanho de um selo
Mesa da escatologia
- Cona da Mão #1 (Gonçalo Pena; 1998?), v/a, capa: Gonçalo Pena
- Vermental #0 (André Silva; 1995), v/a
- Vómito #1 (1997?), v/a
- Vomir #1 (1999), Nuno Pereira
- L’Horreur est Humaine #4 (Sylvan Gérand, França; Jan’02), v/a, capa: Fredox
- Puke Junk & Hit the fan (EUA; 1997), Fly
- Esperma Sangrento #1 (199_?), Janus
- Herpes Labial #1 (Produções de Marda; Out’97), v/a
- Besta Quadrada #1 (João Fonte Santa; 1993), v/a
- Besta Quadrada #3 (André Catarino & Tiago Baptista; 2008), v/a
nota: coisas que acontecem, títulos que se repetem sem os editores conhecerem o precedente, curiosamente quer Santa quer Baptista são pintores e actualmente moram a poucos mais de 5 minutos um do outro. Recentemente aconteceu algo idêntico com o “Olho do Cu”, dois editores separados por 10 anos mas ambos moradores da mesma região, em Abrantes.
Mesa dos Fanzines de crítica e Meta
- Aleph #2 (José Morais C. de Faria; Mar’74), v/a
nota: número em que se dá uma virada maoísta no colectivo, conforme a moda da altura
- Cadernos da Banda Desenhada #2 (Catarina Labey; Mar’97), especial Jayme Cortez
- Nemo #26 (2ª série, Manuel Caldas; Jun’97), v/a
- O Moscardo #1 (Jun’90), Arlindo & Jorge Guimarães
nota: talvez o único fanzine de crítica de BD em Portugal, sobreviveu diatribes, dois números e um suplemento
- Expofanzines 2001 (Colectivo Phanzynex, Galiza; Jul’01), catálogo
- Fan Catalog (CM de Almada; 2008), catálogo
nota: além da entrada da publicação recebida nesta mostra também é mostrada as embalagens de como foram enviadas
- My Precious Things #9 (Fc Kómix; Out’98?), v/a
nota: newsletter de críticas a edições independentes e catálogo da Distribuidora Esquilo GIGANTE.
- Portuguese Small Press Yearbook (Catarina Figueiredo Cardoso; 2018), v/a
nota: especial BD
Enquanto toda a malta que é malta fala do Punk ou o Metal como o género de música que lhes bateu mais, para abrir o terceiro olho (já lá vamos) daqui deste lado devo dizer que foi a onda "Madchester" que me fez curtir música de forma séria pela primeira vez na vida sendo eu na altura um consumidor ignorante de Top+ e o que ouvia num subúrbio de gente parva (Cascais). O punk acontece "alguns meses mais tarde" depois de curtir aquele Pop dançável e orelhudo da terra dos bifes - e depois foi tudo ao mesmo tempo: Industrial, Gótico, Metal, Hip Hop, Rave, Grind, Crust, yo! Por isso, quem me conhece mal, acha um bocado estranho eu ter uma anca de dança pelos Stones Roses e Happy Mondays invés de me babar por Napalm Death ou The Cure como qualquer outra pessoa interessante. Desculpem...
Novidades editoriais:
É uma merda ser kota vindo dos anos 90, não tinha guito e foi tudo ouvido em k7s manhosas, álbuns incompletos, tudo manhoso! Agora que tenho guita, YES!, posso comprar os CDs que quiser e recuperar discos do caralho, fuck you all!!!
Fontanelle (Reprise; 1992) das Babes in Toyland é um power que está lado-a-lado com qualquer Nirvana ou Big Black. Aliás, desde este disco que não há Rock assim!!! Um dia volto a isto menos excitado!
Desculpem, podem voltar ao vosso Netflix e outras punhetas...
PS - 'pera lá, vendo a ficha técnica, finalmente, topo que a produção esteve a cargo de um Sonic Youth (Lee Ranaldo) , o "mixing" por um Skinny Puppy (Dave Ogilvie) e a "masterização" a cargo de Howie Weinberg que já trabalhou para tudo que é gato sapato neste planeta Pop, da Madonna ao "grande poeta de Chicago" (cóf cóf cóf). Isto explica o disco ser uma bujarda? Mas que significa também que afinal é um grande artifício?
PPS - ouvindo o álbum de estreia Spanking Machine (Twin/Tone; 1990) que elas já eram boas mas realmente o som é mais garage ou o que seria o Grunge. Fontanelle é outro campeonato, parece uma ópera de punks, tal é a forma como os vocais são esticados e dramatizados. Musicalmente é mais rico, com breaks e momentos Dark, como o instrumental Quiet Room. Sim, há qualquer coisa de Skinny Puppy apesar de estarmos em terrenos Rock.
PPPS - Nemesisters (Reprise; 1995) pode ser um grande título para disco mas é um bocado chato e paradoxal, tanto mantem as características da banda que tanto correm muito bem como parece uma caricatura grunge sacada ao Hate do Peter Bagge, como experimentam cenas que não tem interesse nenhum como fazer uma péssima e irónica (?) versão de We are Family das Sister Sledge, o que se tornou um paradigma nos anos 90 para bandas esgotadas de ideias. Se calhar este é o famoso "díficil segundo álbum" da banda - embora seja o terceiro, arf arf arf... Ainda assim rocka só que uma hora de disco para este tipo de som não resulta, especialmente com a palha metida pró fim.
Alexandra Saldanha invés de estar a fazer a BD para o próximo número do Mesinha de Cabeceira, distrai-se a ler números antigos! Ainda por cima daqueles números do kota Farrajota. 'Tá provado que a BD é dissuasor da produtividade e promove a procrastinação. Assim não dá, chavala! Entretanto, topem o novo disco da sua banda Unsafe Space Garden...