quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Aristocracia do Rock


Podem-me gozar à vontade por andar a ler estes livros mas caralho, tenho direito a divertir-me! Não vejo televisão nem tenho rede sociais, como posso ter aquele momento de descarga? Não se fala tanto em "guilty-pleasures"? Não há broncos que só lêem os Senhores dos Anais ou super-Heróis? Ou policiais nórdicos? Eu leio biografias de malta do Rock compradas em segunda mão a preços bem parvos. 

E foi coincidência apanhar estes dois que são os gajos dos bastidores. Tony Visconti é produtor de discos e a Sharon Osborne é uma rufia bem famosa que dispenso apresentá-la. Ele é gringo e foi para a Inglaterra para saber como se gravavam discos tão sofisticados naquela ilha e ela inglesa de gema foi prá Amérikkka para fugir ao pai que era um mafioso do Pop/Rock. Ambos escrevem estas autobiografias - com ajuda de ghostwriters claro está, aliás, pergunto se ambos saberão escrever? - que são fascinantes porque partilham do facto de serem de classes baixas e que sobem aos topos possíveis do mundo do Rock e espetáculo. Ambos são uns toscos ignorantes que apesar de estarem nos centros imperiais de Londres e Los Angeles rodeados por pessoas criativas e com ideias incríveis (especialmente nos anos 70 e 80), para além, de terem dinheiro no bolso (em altos e baixos impressionantes!), nunca se esforçaram por se educarem e serem mais do que umas "bestas" abusadas ou abusadoras. Ambos mostram-se "apolíticos"e o Punk passou-lhes ao lado - man, até o inútil do Tim Burgess refere os Crass no livrinho dele - o que mostra que se não te bateu culturalmente o Punk não passas de um granda tótó.

Ainda assim, em Bowie, Bolan and the Brooklyn Boy (HapperCollins; 2007) de Visconti até percebemos que é um gajo culto ou curioso e que conta histórias simpáticas, não tivesse produzido Mark Bolan / T. Rex e David Bowie. Nada mais assimétrico que estes dois, apesar das vidas paralelas, Bolan foi o típico artista pobreta que assim que fez milhões passou a ser um granda porco ganancioso. Se não tivesse morrido no desastre de automóvel teria acabado reacionário e barrigudo como o Elvis. Bowie como se sabe evoluiu no seu projecto de camaleão Pop sempre com grande estilo e arte, mesmo na hora da sua morte. Ganhei a confirmação que a Inglaterra sempre foi um país de suínos porque o Bolan tinha de pedir ao Visconti que lhe deixasse tomar banho algumas vezes por semana na casa dele porque não o podia fazer com tanta regularidade na casa dos pais - creio que a água sempre foi cara na ilha, daí esta falta de higiene. De resto, ele produziu de tudo de grande neste planeta: Procol Harum, Gentle Giant, Osibisa, Sparks, Thin Lizzy, Rick Wakeman, Hazel O'Connor (ena!), Boomtown Rats (ok, ele trabalhou com "punks" mas era só pela guita), Adam Ant, os merdas dos U2, Nana Mouskouri e até o nazi do Morrisey. Voltou prós EUA entretanto já não me lembro porquê...

Extreme : My autobiography (Time Warner; 2005-06) da Osborne foi a coisa mais divertida que li este Verão porque é um grande degredo. O pai era um xungão que lhe fez a vida negra até morrer miserável e abandonado num centro de dia em perfeita harmonia yin-yang ou o famoso "cá se fazem, cá se pagam". Ela foi para os EUA para ser não só saco-azul dos negócios sujos do pai como para ter a sua independência da sua família de criminosos. Depois, claro meteu-se com o Ozzy Osborne, o bêbado que lhe dava porrada mas que Sharon aguentou estoicamente porque achava que ele uma pessoa muito mais divertida e interessante do que a que conhecemos em público. Amor ao quanto obrigas. Mula como é, aguentou as humilhações do seu parceiro descontrolado, tanto que ela tinha de dar a última palavra para mostrar que sempre teve razão para aguentar a criatura, ou seja, Ozzy recuperado e desintoxicado é outra pessoa e um fofo, dizem e ela confirma como tudo mudou depois de ele deixou de ser alcóolico. No livro fala-se de violência no mundo dos espéculos perpetuado pelo pai de Sharon, grandes fraudes em bandas pelos patos bravos da altura, violência doméstica e familiar, amas-secas que roubavam, luta contra o cancro e claro um "que sa foda o mundo", queremos é curtir e fazer guita por isso a concepção do OzzFest não é para salvar baleias mas para metaleiros gastaram os seus salários no recinto. Não deixa de ser impressionante toda a crueza e crueldade desta malta, com os seus momentos redentores - que sabem a pouco porque são pessoas nitidamente pouco cultas.

Nem sei se o título deste "post" está correcto, não será antes esta malta toda do Rock quando tem sucesso meros "Novos Ricos Rock"? Sim, porque os únicos que sempre foram ricos e fizeram Pop (de alta qualidade) foram os Yello. O resto é ralé que até é melhor nem terem muito guita para não fazerem maus discos quando tem a conta cheia. Famintos e à rasca é que fazem obras-primas, certo?

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

PMP (Pior Música Portuguesa)

Porque o Barbosa morreu, perdi a vergonha,
Porque isto nunca acontecerá,
Porque o Gato Mariano é Fake News,
Porque a Música Portuguesa precisa de melhorar-se a si própria,
eis os piores momentos da "Música Moderna Portuguesa" para não cometermos os mesmos erros de A.C.  (Antes do Covid).


1 - KHS / Why / Elo 4 / Peace Maker (Ed. SPA; 1987) 
EP 7" que nem no discogs alguém o meteu à venda nem se encontra a capa na 'net. Também não serei eu a faze-lo. Uma mediocridade tal que mostra a outra face da SPA para além de fechar bares e alimentar músicos medíocres, isto é: não serve para nada.

2- Blind Zero 
Azeite do Norte, do principio até ao fim, estes "parolo geme" (sim foram amplamente gozados no livro de BD Loverboy, o rebelde) são o Antes e Depois da MMP. O Antes: criatividade, espontaneidade, amadorismo. O Depois: copycat, bullshit, money. Apesar do investimento enormes, o plano deu errado, mendigaram uma internacionalização pela pequena espanhola Subterfuge (cá em Portugal era tudo à grande!) e por fim o vocalista até teve de cantar em português numa faixa de Mão Morta.

3- Paus
O que dizer de uma banda quando ela assume-se logo como um Lado B dos Battles? Mas sendo os seus elementos uns betos do sistema, foram abençoados pelo jornal que na redacção até a máquina de café serve merda...

4- Dead Combo : Live At Teatro São Luiz (Blitz; 2014) 
Que Dead Combo faça música placebo é lá com eles, mas ao menos que não abram a boca, por favor! As intervenções com o seu histérico público neste disco mostram que não são apenas burgessos mas também burgueses opressores da classe operária.

5- Vários cantautores católicos da Amor Fúria
Quem?

6- Vários cantautores protestantes da Flor Caveira
Geralmente com nomes rabetas bíblicos...

7- Buraka Som Sistema (depois do primeiro EP)
Assimilados! Ou citando o Farinha Master: "cheirar o cu, cheirar o cu ao Capital"

8- Throes & The Shine
Boa ideia. Preguiça máxima. Mereceram ser roubados pelos Black Taiga!

9- Fast Eddie Nelson
Ah!?

10- Moonspell 
Azeite do Sul. Ao contrário dos Blind Zero - mas nota-se que só no Norte é que se trabalha! - vingaram pelo mundo inteiro numa editora indie de Metal, comendo batatas numa carrinha friorenta. 10 mil fãs não podem estar errados tal como 1000 lemingues a suicidarem-se...

11- Jibóia : Badlav (Lovers & Lollypops, Shit Music For Shit People; 2014)
Jibóia tinha piada no primeiro disco. Jibóia encontrou uma baleia com o estômago cheio de plástico. Jibóia gravou com essa baleia.

12- Lulu Blind (tudo)
A prova viva que Tó Trips seria capaz de vender a sua mãe por 15 minutos de fama...

13- Simbiose
Chato desde sempre, a evitar sobretudo em concertos...

14- Black Bombaim & Peter Brötzmann (Lovers & Lollypops, Shhhpuma; 2016)
O disco mais idiota de sempre mas a revista inglesa The Wire disse bem...

15- Besta
Falhados!

16- A Besta
idem

17- Rita Braga
É a gaja mais persistente na música portuguesa que até Slavoj Žižek a cita conceptualmente: and so on, and so on, and so on...

18- Live Low
Melhor que Resistência, pior que Madredeus. No Porto pronuncia-se "bibeló"

19- Legendary Tiger Man
Legendários eram os Tédios Boys, ou pelo menos, tinham o melhor cu masculino de Coimbra - uma jornalista dixit - e que era o do Tony Fortuna, já agora. 

20- David Fonseca
Azeite do centro, instigador de Nostalgia barata como o vendido do Markl (é assim que se escreve?). Tentou sacar fama com a morte de David Bowie para ficar grande mas nem toda a gente é parva, embora:

21- Discos Príncipe (tudo!)
Não dá para perceber o sucesso, ou talvez dê, os países ex-colonistas perceberam que era mais fácil deixar as colónias serem independentes e manter relações comerciais desvantajosas para as colónias sem recursos...

22- Assacínicos
Inauguraram uma sub-label da Rastilho, a Metamorfose, dedicada a "sons diferentes". Numa revista de música pediram para não ser eu a fazer a resenha crítica do disco homónimo de 2004, o que foi ainda pior nas mãos do outro crítico.

23- Poppers
O melhor que fizeram foi fechar a Metamorfose...

24- Crise Total : Autista
Banda punk que mais gravou o mesmo tema, ou outros por eles fazendo justiça ao título...

25- Putas Bêbadas : Jovem Excelso Happy (Cafetra; 2013)
Alguém fará uma tese de mestrado sobre este disco mas ninguém irá lê-lo...

domingo, 26 de setembro de 2021

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Boa merda (48)

 



Um gajo vai à discoteca (loja de discos, pá!!!) especializada em Punk e Ska e sai sempre com material de hippies - heresia! Que marado! A culpa é do gajo que está ao balcão, claro. 

Desta vez levei o pirateado CD pela Radioactive (2006), do único LP dos Hot PoopDoes their own stuff de 1971. Auto-editado pela banda, tem um som "freak" na onda de gozo Zappiano em que tanto se ouve Beatles, Janis Joplin, Nancy Sinatra ou Beach Boys em absoluto cinismo em relação aos anos 60 Flower Power. 

O disco é conhecido mais pelas suas capas sequenciais. A capa num plano vemos o destinos dos dejectos humanos da banda: a sua produção, a distribuição, a confeição, a injecção e a morte por seres um drogado de merda - literalmente. Também inexplicável é a contra-capa em que se vê a banda acompanhada por burros (e mulas) seguida por outra foto "imediata" deles a exporem-se num nu frontal mas com os sexos trocados dos quatro gajos e uma gaja. Malta com piada, sem dúvida. Precedem o humor Punk que virá em poucos anos à frente mas sobretudo mostra que já houve décadas mais divertidas do que a nossa.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

RIP ROCK

Como escrevi numa resenha a uma k7 no penúltimo número d'A Batalha: O Rock nasceu negro nos anos 50, foi adoptado por padrastos brancos, começou a namorar aquela que viria a ser a sua companheira prá vida, a Pop. Até tomaram drogas psicadélicas juntos nos anos 60. Depois ficou adulto e responsável (Prog), teve um filho anarca (Punk), nados-mortos (Metal) e bastardos (Industrial) e sendo entretanto um «ok, boomer» perdeu-se nos anos da web 2.0. Claro que quer deixar rasto na História e meteu-se a fazer museus e deixou que lhe escrevessem epitáfios. Sem «gigs» em 2020, morreu no centro de dia porque o Estado não tem paciência para velhos. Em Guimarães, Porto e Almada até fizeram livros luxuosos com prefácios dos mercenários Rui Moreira ou Inês de Medeiros (...) - estes últimos respectivamente nos catálogos Musonautas:  Visões & Avarias : 1960-2010 : 5 Décadas de Inquietação Musical no Porto (Galeria Municipal do Porto; 2019) e Margem : Uma História do Rock (Museu da Cidade de Almada; 2019).

O prefácio de Medeiros é a hipocrisia com todo o charme. Se a capa e a primeira foto que se encontram no livro é dos putos a atirarem-se dos balcões de Ratos de Porão em 1994, não convém esquecer que a senhora afirmou que o Rock não entraria mais na sala de espetáculos onde aconteceu o mítico concerto - o Incrível Almadense. Revela estar contentinha pela exposição, que esteve patente em 2019, por ter batido o recorde de entradas de público no Museu da Cidade. Uma foto do belo concerto dos Mudhoney deveria lembrar que até à pandemia acontecer em 2020 não havia um sítio decente na cidade inteira para as bandas tocarem em condições. Pois é filhota, o que vale é que as pessoas esquecem-se de tudo e os kotas do Rock devem voltar a votar em ti por os ter metido num livro em formato superior A4, talvez para não ser tão foleiro como objecto de design - é luxuoso q.b. mas não tem a aristocracia dos Musonautas - já lá iremos... Neste Na Margem há textos a pensar sobre a museificação do Rock por Vítor Belanciano e as normais cronologias desta música mais a indexação da memorabilia da exposição, desde pulseiras de picos de Black Metaleiros a fanzines de BD como o Hips! de Nuno Saraiva & cia, bem como uma divertida BD pós-moderna de seis páginas de Miguel Fonseca e Rui Amaral feita em 1987 - um caso raro de contemporaneidade na BD portuguesa, diga-se de passagem mesmo que em contexto escolar - e que deu origem nos Thormenthor. Ah! e também as discografias das bandas do concelho e essas coisas todas e ao contrário do Porto, assumem aqui a existência da música pesada Punk / Hardcore / Metal. Um manancial para os historiadores do Futuro. Um trabalho bem feito, sem crítica como as instituições gostam. Epá, e topo da cereja é que já faço parte da bibliografia da história desta merda do rock tuga, ena! Vou mudar o meu nome para Múmia Farrajota.

Musonautas é outro patamar, não fosse o Porto e o que significa, a segunda mais importante cidade portuguesa e como tal berço de artistas e cultura. claro que começa mal com o editorial de quem dá o carcalhol, o actual presidente da câmara Rui Moreira, a dar em nostalgia e a falar dos seus negócios de família. Dá tudo a perder mas felizmente a fantástica documentação, a abrangência do livro (não é só sobre Rock, trata de música contemporânea, neo-clássica, popular, da imprensa, enfim quase tudo), as intervenções dos seus vários escritores e o design gráfico fazem disto uma peça histórica que Lisboa com o "Merdina" nunca poderá ter tal documento. Se calhar ainda bem, se fosse a actual Vereação da Culltura só se poderia esperar murais de homenagem ao Zé Pedro ou ao Ribas poluindo as últimas paredes de Lisboa que restam. 

Falhas, algumas, o texto sobre o Hip Hop é fraco - e preocupante como a Matarroa é mal lembrada - e o Heavy Metal é quase ignorado - só não é porque o Gustavo Costa é um músico respeitável do mundo do Experimental e Improv, e que teve nas suas origens bandas como os Genocide. É ainda acompanhado por um CD (aprende Almada!) com raridades musicais para todos os gostos - Hospital Psiquiátrico finalmente com bom som -, pena não tem um alinhamento cronológico para se sentir um evoluir dos sons - dos estilos à gravação. Aliás, não é à toa que o disco acaba com a sensação que os Dealema (e o Hip hop) continua a ser um guetho musical. Para a próxima contacte-me que eu sei fazer isso bem.

Aaaaaaah... foi uma bela época. RIP Rock!

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Tecla 3

Anda, Diana (Sistema Solar + Ed. ________; 2021) é um livro da bailarina e coreógrafa Diana Niepce que em 2014, num ensaio cai de pescoço de um trapézio e fica tetraplégica. Isto levou-a repensar o corpo performativo (...) A partir desse momento a sua carreira é moldada em torno da sua nova condição física, sendo convidada para participar como oradora em sessões de trabalho sobre a relação entre a arte e a deficiência. Conheci o seu trabalho curiosamente num dos poucos espectáculos que pude assistir em 2020, antes desta merda toda fechar, e fiquei completamente banzado pela sua pujança e erotismo. Este ano saiu um livro dela, um "diário ficcional" diz no frontispício e na contra-capa.

Um amigo meu disse-me que prefere ler livros "maus" a nível literário mas com força vinda de uma experiência de vida do que livros bem escritos mas que a vida decorre lá do alto da torre de marfim. Creio, que ainda há uma "terceira via", que é a do gajo da torre de marfim que trabalhe no duro e que consiga também mostrar uma força vital - lembro-me do William T. Vollman na falta de melhor exemplo. O livro da Diana é da primeira categoria, como peça literária é fraca mas a sua personalidade trespassa a escrita sem papas na língua, seja para denunciar como os deficientes motores são ignorados no trato social e arquitectónico, seja para despejar as glórias e quedas dos amores + sexo com os companheiros/as (?) ou seja quem for que lhe atravesse o caminho - várias vezes ameaça dar com a cadeira de rodas a parvalhões e imagino-a atropelar o pé de um idiota e dizer "ups! desculpe, foi sem querer...". Gaja fodida!

A escrita é fragmentada e o registo é autobiográfico, falta no entanto algum empenho em oferecer a informação proposta de forma mais acessível e compreensível - sem comprometer os envolvidos e todas as problemáticas (sentimentais ou até legais) que isso acarreta, um bom editor teria acompanhado a obra de Niepce e dado ali uns valente cortes e/ ou acrescentos. Ler este livro será um mundo novo para a maioria dos leitores, não falo do mundo da dança mas da terapia e do trauma + "a vida continua" com bexigas cheias e esvaziamentos ou falta de controlo sobre os músculos (espasticidade, clónus). É dureza ler isto, toda uma nova vida feita de vários infernos (que são realmente sempre os outros) embora seja confuso acompanhar os dramas mais específicos de Niepce devido aos "saltos narrativos" ou à falta de descrições mais específicas, sejam de relações mais pessoais (sem querer ser um voyeur sedento de sangue) ou apenas para conseguir chegar ao nome de Dergin Tokmak. Mais do que literatura factual é uma escrita do estado de espírito e sobre a capacidade de sobrevivência de uma pessoa que teve um acidente quase mortal. Gaja fodida!!

Coincidência enquanto escrevo isto, oiço o volume 22 do Godspunk (Pumf; 2021) - uma série de colectâneas DIY inglesas que mistura tudo na boa... Dub, Indie, Punk, Black Metal, Noise da treta e Harsh Noise. Neste volume a dose é dupla de CDs e no segundo disco ouve-se os UNIT - banda Punk-Hardcore com xilofone e liberto do machismo associado a este género musical - com uma música a questionar sobre os desejos sexuais dos espásticos e avisam eles que estamos apenas a uma distância de um acidente de carro para pensarmos nisso. Levam-me a relembrar que entre as dezenas de inúteis apresentações do primeiro KISMIF, a mais brilhante delas (a única de jeito mesmo) foi a apresentação de George McKay sobre a relação entre Punk e deficiência. Sacando do seu "paper": For some disabled people, punk offered expression, empowerment, visibility, humour, bad taste, and attitude, and all in a zone of socio-cultural liberation, as much as (even more than) it exploited disability or used it as a marketing strategy.

Sobre música as referências da Niepce no livro, elas são bastante "normies" - Arcade Fire (banda que deveria ser queimada), Korn (fixe se fores puto que todos os dias sonha com sexo) ou os Sinistro (o nome diz tudo)... Diana nada punk, se formos por aí. Duvido que ela alguma vez tenha sentido o apelo por esta contra-cultura e das suas consequências descritas por McKay, por exemplo. A peça que vi em 2020 e este livro são "punks", sem pejos e siga para bingo, ou pelo menos tem essa aura, sabendo que a palavra "punk" é das mais abusadas nesta década para qualquer coisa que pareça "feia" ou "suja". Essa aura se existe fez-me gostar tanto do espectáculo e também do livro, embora este último com algumas incertezas. Algumas já foram acima descritas mas a mais complicada será quando ela escreve (p.200) que um conhecido lhe disse que pelo facto de ela ter tido o acidente, é certo que teve azar mas que isso lhe trouxe visibilidade e notoriedade no meio artístico. E que ganhou uma coisa que ninguém tem - liberdade. Acrescenta que "posso ser quem eu quiser ser, que ninguém nunca vai dizer nada." Acho que na vidinha mundana e prática que levamos, percebemos tudo o que é aqui escrito, e até aceitamos e concordamos mas Niepce não aprofunda e os excertos levantam várias questões. 

Primeiro, alguém fazer uma comparação entre deficiência física com fama é de bradar aos céus, se calhar até é de ladrar aos céus! Como se uma coisa invalida ou (re)compense a outra, até porque mostra um mundinho de cristal que ignora o facto que uma artista pode ter mais tempo de antena que um vulgar cidadão só porque é artista. Não parece injusto para os "vulgares"? Já agora, nem sei se isto é verdade afinal de contas serão os programas de TV da manhã e os reality shows menos importantes que as crónicas dos besuntas do Público? Em segundo, a liberdade artística é conseguida por um acidente terrível? O que isto diz sobre o nosso estado da arte? Ou melhor ainda, o que diz sobre as pretensões e das lamentações dos artistas dos dias de hoje? O que eles querem dizer que não podem? O que tem assim tão de extraordinário para dizer que são censurados ou auto-censurados? Não dizem o quê? O que não dizem com medo de melindrar alguém do meio que tenha os cordelinhos da bolsa ou das estruturas de programação? Em terceiro, o facto de ser aleijada passa a ser imune a críticas negativas!? Não deveria. 

E já agora... o "show" dela no Teatro do Bairro Alto foi  uma seca, uma produção cosmopolita-só-porque-sim. Terá sido um trabalho pensado para a programação da casa? Não deveria ser a casa a receber apenas o trabalho da artista em estado de graça? Não digo que tenha havido influência directa e imposta da casa em si sobre a artista - seria grave, claro - o mais natural, neste século que anda mal, é que tenha sido a artista a auto-propor-se a algo estético que fizesse sentido para aquela casa de espetáculos com uma programação tão coerente. Se os artistas adaptam-se a cada novo ambiente onde estão a trabalhar, onde está essa liberdade?

quinta-feira, 15 de julho de 2021

É só vaidade (II) @ Estalo, Guimarães, 3 a 12 de Junho

Porque raios só os ricos e os famosos podem fazer lavagem de dinheiro e tráfico de influências criando as suas Fundações que rumam ao desconhecido? 

A Fundação Farrajota veio reivindicar que até os pobretanas tem direito a tal figura de entidade colectiva. Mas que faz esta Fundação? Materializa a memória do clã, recuperando arte e objectos editoriais para espaços públicos, minando a tirania da história e dos seus tristes vencedores. Em breve também editará livros de memórias criando um verdadeiro catálogo de mitomania e de desespero existencial.


Criada em 2004 para uma exposição de Arte no evento “underground” Crime Creme Doméstico, desde então pela sua sede, já passaram esposas de social-democratas, estrelas do Trap, suecos clinicamente reconhecidos como doentes mentais, anarquistas da academia, lutadoras anti-racistas como ainda industrialitas celibatários. Neste improvável “melting-pot” de pessoas criou-se uma forte rede de “contactos” que resultou finalmente numa acção oficial no inútil festival Fólio em Óbidos, em 2019, com a mostra bibliográfica “É Só Vaidade”. 


E agora, tentacularmente, ela repete a fórmula para o festival Estalo em Guimarães.





É Só Vaidade


É uma mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. É a sua segunda vida e tem o mesmo título porque os tecnocratas não têm imaginação.


Os zines são artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas de Arte e recipientes de Cultura precária. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações até aos dias de hoje de tal forma que continuam a provocar dores de cabeças a todos os que gostam de catalogações. 


Estão expostas aqui, uma série de publicações a provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra incida-se sobretudo na Banda Desenhada portuguesa, Arte constantemente mal-tratada mesmo pelas instituições públicas que a promovem, de tal forma que a FF sentiu um chamamento para esta batalha contra a ignorância!


Em Portugal, os fanzines de BD aparecem nos anos 70, muitas vezes sem o vocábulo correcto, espalhando-se em denominações como “jornal” ou “revista”. Eram geralmente criadas por colectivos de colecionadores ou em contextos escolares mas a vontade era óbvia: sair do espartilho da censura ou, depois do 25 de Abril, curtir a liberdade da Democracia.


Com o evento da cultura digital, o zine foi-se transformando, embora muitas vezes as suas características antigas reapareçam em novos formatos. É impossível não sentir um antagonismo de conceitos entre as publicações das origens até aos anos 90 e as do novo milénio. Até ao advento hegemónico do Digital, sobretudo com a omnipresença das redes sociais a tomarem conta da Internet, os zines eram produzidos por colectivos (A Vaca que veio do Espaço), a informação e crítica eram imperativos (Aleph, O Moscardo), havia uma continuidade do título com uma numeração, mesmo quando esta era muitas vezes subvertida, e usava-se a fotocopiadora do trabalho (à socapa) ou do centro de cópias para a sua reprodução. 


No mundo da cultura digital, a produção torna-se individualizada, personalizada, mais artística, sendo muitas vezes cada objecto quase único, já para não dizer que se ignora a numeração, afinal cada título é um monográfico, seguindo a lógica de um livro - ou de uma plaquete ou de livro de autor ou de artista. As tiragens baixaram porque a impressão pode ser feita na impressora caseira ou como aconteceu na última década à base da risografia. Esta última traz o calor das cores num bonito paradoxo do defeito do trabalho manual com o brilho açucarado dos ecrãs. Apesar dessa liberdade da impressão caseira, serão poucos os exemplos que a aproveitam para exagerar ou diminuir os formatos convencionais do habitual A4 (ou dobrado dando um A5), aliás, nos anos 90, o A5 torna-se regra para quem faz fanzines - o que significa na maior parte das vezes apenas uma coisa, quem edita são putos que não tem muito dinheiro.


Se o fim do zine colectivo possa significar um confinamento social das sociedades ocidentais, em compensação cada “monográfico” é um portfólio do artista, o manifesto das suas potenciais qualidades e uma cereja no topo para os leitores ousados. Apesar de ser mais fácil seduzirmo-nos por uma publicação a solo do que encontrar o artista que gostamos no meio de dezenas de páginas de uma antologia, tornou-se também mais complicado encontrar as publicações se não estas tiverem boa exposição em eventos especializados.


O digital roubou a reflexão em favor da reacção, daí que nas várias mesas da exposição queremos relembrar o sentido de missão da divulgação dessas publicações (Nemo, Cadernos da Banda Desenhada), a irreverência da experimentação (Sim/ Não), o uso de materiais pouco convencionais (106u, Sub, Succedâneo) e o uso de uma escatologia sem pudor que parece ter sido entretanto saneada nos zines, talvez porque se observa que na cultura vigente até o putedo literário actual sabe que não será multado ou preso por usar palavrões em obras literárias, “O amor é fodido”, pá! 


A quantidade de títulos com associação a “vómito” aqui presentes estão realmente balizados nos fins do século XX e no início do novo. Depois, como todos sabem, a ‘net foi inventada para vermos vídeos giríssimos de gatos, a quantidade de títulos a piscar aos amantes dos felinos rivalizam os de escatologia.


Pelo meio encontrarão objectos sobre este preciso ponto onde se encontram! A cidade de Guimarães (Garagem, Ancient Prophecy), o festival Estalo, os seus artistas convidados (André Coelho, Edgar Pêra e a Oficina Arara) e os participantes do mercado Necromancia Editorial - neste último caso, fomos às suas pré-histórias como o fanzine Zundap que deu na Imprensa Canalha ou o Clube do Inferno que agora é o Massacre. 


Estando previsto um novo número do zine Mesinha de Cabeceira, há uma mesa dedicada a esta publicação existente desde 1992, co-fundada por Marcos Farrajota e Pedro Brito. O número 30 publica uma BD da vimaranense Alexandra Saldanha, mais conhecida pela banda Unsafe Space Garden. Sim, é só vaidade…








Mesa dedicada a Guimarães e ao Estalo

Garagem #1 (Garagem, 2000), v/a

nota: revista de música que edita o primeiro disco de drum’n.bass português, de Phastmike.

- Ancient Prophecy #1 (Paulo Ribeiro; Out’96), v/a

nota: fanzine de Metal cristão

- Acto #9 (ACT; 2009), v/a

- Buraco #4 (Arara; 2012), v/a

nota: número dedicado à (des)ocupação da Es.Col.A

Mundos em Segunda Mão, vol. 2 (MMMNNNRRRG; 2015), Aleksandar Zograf

nota: “cine comics” na contracapa de Edgar Pêra

- SWR Barroselas Metalfest 18 Sticker Booklet (SWR; 2016), André Coelho

Ao Coração das Trevas (Ao Norte; 2018), André Coelho


Mesa dedicado às “pré-histórias” dos editores do Necromancia Editorial

- Estou Careca e a minha cadela vai morrer (Marco Mendes & Miguel Carneiro; Jun’05), v/a

Satélite Internacional #4/5 Sputnik (col. A Língua; Jun’05), v/a

- Tierra de Nadie (2015), Rodolfo Mariano

Surto #2 (Sarna; Jun’19), v/a

Radiation 2 (Clube do Inferno; 2014), Mao

Freak Scene #1 (Clube do Inferno; 2014), André Pereira

Zundap #11[#6?] (José Feitor; 2003?), v/a

nota: este fanzine era numerado aleatoriamente para confundir os colecionadores, yes!

Jungle Comix #1 (Rudolfo Comix; 2009), Rudolfo da Silva


Mesinha de Cabeceira 

#0 (Fc Kómix; Out’92), v/a, capa: Pedro Brito

#5 + Meseira de Cabecinha #1 (Fc Kómix; Ago’94), v/a, capas: Pedro Brito

#10 (Fc Kómix + Chili Com Carne; Nov’96), v/a, capa: Marcos Farrajota

#13 (Chili Com Carne; Out’97), “88” de Nunsky

#16 (MMMNNNRRRG; Out’02), “Super Fight II” de André Lemos

#23 (Chili Com Carne; Out’12), v/a 

nota: páginas expostas de Uganda Lebre

#29 (Chili Com Carne; Abr’21), “A Fábrica de Erisicton” de André Ferreira


Mesa de BD anos 70 a 90

O Máximo #2 (Edições Dada; Dez’75?), v/a 

nota: páginas expostas de Isabel Lobinho

O Estripador #0 (Delfim Miranda; Jan’75), v/a, capa: Fernando Relvas

Evaristo #2 (António Pereira; Mar’75), v/A, capa: Vicente Barão

Grafpopzine (Mai’88), Alice Geirinhas e João Fonte Santa

Psicose Infantil (Illegal Comix; 1991), v/a, capa: Fernando Gonçalves (?)

Pintor & meio #2 (Rodrigo Miragaia; Abr’91), v/a, capa: Rodrigo Miragaia



Mesa de BD deste milénio

-  Galante e a Mulher-Mistério, Fotonovela nº1 (Pôe-te Fino Edições Caseiras; 2011), Bruna e Carol Carvalho

Não me contes o fim!! Eles.. morrem todos. (Senhorio; 2006), Nuno de Sousa e Carlos Pinheiro

There are only seven stories in the world (O Panda Gordo; 2013), v/a

Lençóis Felizes (Happy Sunflowers Books; 2013), Van Ayres

Noberto à chuva + Noberto nas montanhas (La Pie qui Aime eles livres; 2014), Margarida Esteves

- [sem título] (2011), Lucas Almeida

BD PZL (2018), Mariana Pita

nota: BD baseada no jogo picross ou nonogram

Durty Kat #10 (Ana Ribeiro; 2018), v/a

O Gato Mariano não fez listas em 2017 (2017), Tiago da Bernarda

Cvthvus #2 (Jun’13), Chaz the cat e Gonçalo Duarte



Mesa dos Formatos e Materiais

-  Bioedificio 421 (Lök, Itália; 2012), v/a

Bactéria #10 (Francisco Vidal; 2001?), v/a, capa: Francisco Vidal

nota: capa em serigrafia com biscoito de cão em formato de osso (moído entretanto!)

Ganmse (1986), Rigo 23

Sub #8 (Pitchu; Out’99), v/a

Mix Tape (Dinamarca, 2008), Allan Haverholm

106 u #5 (Eric Bräun, Canadá; 1998?), v/a

Succedâneo #-20 (João Bragança; Jan’01), v/a

Sim / Não (1998), Geral & Derradé

nota: duas BDs que se vão concluir na página central deste “split”

Joe Índio especial Off (A Vaca Que Veio do Espaço; 1994), v/a

Chicken’s Bloody Rice #0 (Other’s Thinking Productions; Jun’03), v/a

nota: era acompanhado por um saco de plástico que continha uma perna de galinha, arroz e água colorada de vermelho, reza a lenda, que a putrefação dos materiais fez um colecionador vomitar

Pecarritchitchi #2 (Abr’04), João Bragança

nota: deverá ser o zine mais pequeno de sempre, o número anterior tinha o tamanho de um selo



Mesa da escatologia

Cona da Mão #1 (Gonçalo Pena; 1998?), v/a, capa: Gonçalo Pena

Vermental #0 (André Silva; 1995), v/a

Vómito #1 (1997?), v/a

Vomir #1 (1999), Nuno Pereira

L’Horreur est Humaine #4 (Sylvan Gérand, França; Jan’02), v/a, capa: Fredox

Puke Junk & Hit the fan (EUA; 1997), Fly

Esperma Sangrento #1 (199_?), Janus

Herpes Labial #1 (Produções de Marda; Out’97), v/a

Besta Quadrada #1 (João Fonte Santa; 1993), v/a

Besta Quadrada #3 (André Catarino & Tiago Baptista; 2008), v/a

nota: coisas que acontecem, títulos que se repetem sem os editores conhecerem o precedente, curiosamente quer Santa quer Baptista são pintores e actualmente moram a poucos mais de 5 minutos um do outro. Recentemente aconteceu algo idêntico com o “Olho do Cu”, dois editores separados por 10 anos mas ambos moradores da mesma região, em Abrantes.



Mesa dos Fanzines de crítica e Meta 

- Aleph #2 (José Morais C. de Faria; Mar’74), v/a

nota: número em que se dá uma virada maoísta no colectivo, conforme a moda da altura

Cadernos da Banda Desenhada #2 (Catarina Labey; Mar’97), especial Jayme Cortez

Nemo #26 (2ª série, Manuel Caldas; Jun’97), v/a

O Moscardo #1 (Jun’90), Arlindo & Jorge Guimarães

nota: talvez o único fanzine de crítica de BD em Portugal, sobreviveu diatribes, dois números e um suplemento

Expofanzines 2001 (Colectivo Phanzynex, Galiza; Jul’01), catálogo

Fan Catalog (CM de Almada; 2008), catálogo

nota: além da entrada da publicação recebida nesta mostra também é mostrada as embalagens de como foram enviadas

My Precious Things #9 (Fc Kómix; Out’98?), v/a

nota: newsletter de críticas a edições independentes e catálogo da Distribuidora Esquilo GIGANTE.

- Portuguese Small Press Yearbook (Catarina Figueiredo Cardoso; 2018), v/a

nota: especial BD

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Tim Burgess : Telling Stories (Viking / Penguin; 2012)

Enquanto toda a malta que é malta fala do Punk ou o Metal como o género de música que lhes bateu mais, para abrir o terceiro olho (já lá vamos) daqui deste lado devo dizer que foi a onda "Madchester" que me fez curtir música de forma séria pela primeira vez  na vida sendo eu na altura um consumidor ignorante de Top+ e o que ouvia num subúrbio de gente parva (Cascais). O punk acontece "alguns meses mais tarde" depois de curtir aquele Pop dançável e orelhudo da terra dos bifes - e depois foi tudo ao mesmo tempo: Industrial, Gótico, Metal, Hip Hop, Rave, Grind, Crust, yo! Por isso, quem me conhece mal, acha um bocado estranho eu ter uma anca de dança pelos Stones Roses e Happy Mondays invés de me babar por Napalm Death ou The Cure como qualquer outra pessoa interessante. Desculpem...

Cheguei aos Charlatans quando a Megastore da Valetim de Carvalho do Chiado abriu (?) e andou a oferecer com o jornal Blitz quatro vinis à escolha - podia-se escolher um dos quatro. Não sei como consegui um duplo dos sensíveis This Mortal Coil e outro LP de estreia destes ingleses - devo ter comprado dois exemplares do jornal? As outras opções acho que eram as Throwing Muses e Fields of Nephilim... alguém se lembra desta campanha incrível dos anos 90? 

Bom, o disco era fixe e ainda hoje o oiço com regularidade mas curiosamente nunca mais pensei neles, ou seja, ir ouvir outros discos porque até apareceu a 'net que permitia isso. Aliás, nem sabia que eles tinham mais uma dúzia de discos de originais e que foram várias vezes aos Tops 10 das vendas, uau! Caguei mesmo para o mundinho mainstream há muito tempo. Ouvindo esta semana os discos em linha, também percebi que não perdi nada. 

Encontrei este livro da Bivar, uma curiosidade para ler no Verão. Aquela leiturinha leve que se quer de vez em quando. No fim-de-semana passado fui para fora e apanhei um incêndio que me reteve duas horas no comboio. Quase li o livro todo mas estava a ver a coisa mal parada - literalmente. Logo o que o burgesso do Tim escreve no primeiro capítulo do livro é sobre o seu penteado e o seu estilo de vestuário. Foda-se! Depois são as suas memórias que achei piada ler por nostalgia pura e dura, nada mais, tudo é medíocre. Nada de excitante: sexo é zero - o Tim não passa de um "normie" -, drogas muitas e fiquei a saber que coca tomada analmente dá grande pedalada (e ele explica como se faz, o que obriga a duas pessoas na operação), e rock'n'roll... bóf, a banda é Pop, convenhamos, que nem se distingue dos Stone Roses se não fosse o orgão. 

Ah! Há a história do organista Rob Collins que se envolveu num assalto à mão armada é aqui explicada e desculpada, sei lá, no fim a conclusão que isto é só mais uma cambada de toinos que ainda pergunto como aparecem tantas referência aos Crass quando estes gajos são apenas mais uma grupeta de putos egoístas e inúteis. Putos? Bem... hahahaha, o  livro é de 2012 e já há fotos do Tim Burgesso mal-envelhecido a tocar bongos com ar de Hippie tardio e a fazer meditação transcendental, arrependido de ter sido um merdas na sua vida adulta toda. 

Fico a pensar como tive uma vida muito mais rica do que este Rock-Star. O livro vai voltar à Bivar, quem quiser se divertir um coche pela uva mijona. Não me arrependo de ter escolhido o Some Friendly (Dead Dead Good / Situation Two / Beggars Banquet; 1990) invés dos Nephilim...

PS - Entretanto, passei pela Neat Records e ficou por lá...

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Comix-Remix-Snif-Snif

 


Saiu o #60 da revista Kuti e no seu editorial relembram ao seu fiel público dos meus textos sobre "Comix Remix" (ler em português aqui e aqui). Quase que chorei...

Não esquecendo que os textos foram recuperados há pouco tempo naquele monstrinho que até ganhou prémio em Angoulême...

quinta-feira, 27 de maio de 2021

É só Vaidade (outra vez mas diferente)




A Chili Com Carne, com a parceria dos Discos de Platãovai regressar com o seu Mercado de Edições Independentes NECROMANCIA EDITORIAL, cuja última edição foi no Milhões de Festa de 2018!!

Mantemo-nos no Norte e assim sendo no Sábado de dia 5 de Junho estaremos no ESTALO!, um evento a acontecer no Instituto de Design de Guimarães, que inclui exposição, filmes e concertos. O horário será entre as 11h e as 19h. 

Estão confirmadas a presença dos seguintes editores: Associação Chili Com Carne + MMMNNNRRRG (2000-20), Atelier Arara + Favela + Fojo + Gabinete Paratextual + O Gorila + Sonoscopia, Bestiário, Discos de Platão + Sarna, Erva Daninha + Massacre, Imprensa Canalha, Palpable Press e Rodolfo Mariano.

Este mercado apresenta o melhor que se produz em zines, revistas, livros, k7s, discos, ou seja a "edição independente" que luta contra a estupidificação do mercado da cultura.

Venham porque já está tudo bem!


Novidades editoriais:

- Fosso #1 (Imprensa Canalha), de José Feitor
- M.A.L. vol. 000, de Rodolfo Mariano
- Pentagrama #0 (Mãotanha Livros), de Rodolfo Mariano
- Querosene (Chili Com Carne), v/a
Swallow the Universe de João Caridade
- Tumulto (Imprensa Canalha), de José feitor


 





De resto, o ESTALO terá uma exposição de originais de André Coelho (Terminal Tower e Acedia) intitulada Território - Término e uma mostra bibliográfica da Fundação Farrajota que volta a ser É só vaidade!



Mostra bibliográfica constituída por fanzines e outras edições independentes do acervo da Fundação Farrajota. Podemos considerar os zines como um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade, galerias nómadas e precárias, reações à tirania da História. Localizáveis desde os anos 30, sofreram mutações mas continuam a provocar dores de cabeças a todos que gostam de gavetas certinhas. Estarão expostas uma série de publicações para provarem a sua riqueza de temas e formatos, embora a selecção desta mostra irá-se incidir sobretudo na BD.

sábado, 22 de maio de 2021

Fuck you all, é um dos melhores discos de Rock de sempre!

 


É uma merda ser kota vindo dos anos 90, não tinha guito e foi tudo ouvido em k7s manhosas, álbuns incompletos, tudo manhoso! Agora que tenho guita, YES!, posso comprar os CDs que quiser e recuperar discos do caralho, fuck you all!!! 

Fontanelle (Reprise; 1992) das Babes in Toyland é um power que está lado-a-lado com qualquer Nirvana ou Big Black. Aliás, desde este disco que não há Rock assim!!! Um dia volto a isto menos excitado!

Desculpem, podem voltar ao vosso Netflix e outras punhetas...

PS - 'pera lá, vendo a ficha técnica, finalmente, topo que a produção esteve a cargo de um Sonic Youth (Lee Ranaldo) , o "mixing" por um Skinny Puppy (Dave Ogilvie) e a "masterização" a cargo de Howie Weinberg que já trabalhou para tudo que é gato sapato neste planeta Pop, da Madonna ao "grande poeta de Chicago" (cóf cóf cóf). Isto explica o disco ser uma bujarda? Mas que significa também que afinal é um grande artifício?

PPS - ouvindo o álbum de estreia Spanking Machine (Twin/Tone; 1990) que elas já eram boas mas realmente o som é mais garage ou o que seria o Grunge. Fontanelle é outro campeonato, parece uma ópera de punks, tal é a forma como os vocais são esticados e dramatizados. Musicalmente é mais rico, com breaks e momentos Dark, como o instrumental Quiet Room. Sim, há qualquer coisa de Skinny Puppy apesar de estarmos em terrenos Rock.

PPPS - Nemesisters (Reprise; 1995) pode ser um grande título para disco mas é um bocado chato e paradoxal, tanto mantem as características da banda que tanto correm muito bem como parece uma caricatura grunge sacada ao Hate do Peter Bagge, como experimentam cenas que não tem interesse nenhum como fazer uma péssima e irónica (?) versão de We are Family das Sister Sledge, o que se tornou um paradigma nos anos 90 para bandas esgotadas de ideias. Se calhar este é o famoso "díficil segundo álbum" da banda - embora seja o terceiro, arf arf arf... Ainda assim rocka só que uma hora de disco para este tipo de som não resulta, especialmente com a palha metida pró fim.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Trabalha, malandra!

 


Alexandra Saldanha invés de estar a fazer a BD para o próximo número do Mesinha de Cabeceira, distrai-se a ler números antigos! Ainda por cima daqueles números do kota Farrajota. 'Tá provado que a BD é dissuasor da produtividade e promove a procrastinação. Assim não dá, chavala! Entretanto, topem o novo disco da sua banda Unsafe Space Garden...

segunda-feira, 3 de maio de 2021