
sexta-feira, 30 de março de 2012
I-I-I-I

Festival de Helsínquia 2008 (?), foto sacada ao blogue do Marko Turunen, Kristiina a falar comigo, Tommi Musturi por trás, Jucifer e Marko ainda mais para trás (?).
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memorabilia,
Suomi,
Tommi Musturi
sexta-feira, 23 de março de 2012
São uns animais... unzANIMAIS!!!!


Puppetmastaz : The Break Up (Discograph; 2009)
Techno Animal versus Reality (City Slang; 1998)
Com o avançar da idade a ideia de fazer uma discografia completa de uma banda passa a ser percebido como uma idioteira total porque são poucas as bandas ou músicos que merecem a nossa atenção e dedicação. Os Puppetmastaz são das poucas excepções à regra. Reparei que daqui uns dias vão lançar o seu quinto álbum de originais, e aproveitei para comprar o último, datado de 2009. Lá comprei mais barato por já terem passados 3 anos e assim juntei à colecção dos CDs desta banda de "marretas do Hip Hop", que agora se encontra completa porque até tenho o álbum ao vivo Clones - Live in Berlin (Louisville; 2007).
Cada disco deste bonecos toscos vale a pena: pela frescura da estreia de Creature Funk (New Noise; 2003), pelo "groove" esgroviado do segundo álbum Creature Shock Radio (Louisville; 2005) e pelo poder sólido e conceptual do The Takeover (Discograph; 2008) ... Este The Break Up é também conceptual, os "fantoches do guetho" imitam as bandas humanas tão bem que se zangam e cada elemento começa a sua carreira a solo! Assim cada faixa do disco, menos a primeira, é feita por cada elemento da banda fazendo juz ao cliché "o conjunto não é igual à soma das partes". Tendo de base o Hip Hop misturam-se vários outros estilos urbanos como o Dubstep, Electro / Techno, Ragga, Dancehall e até um Drum'n'Bass final. Os gajos que estão por detrás dos bonecos sempre souberam o que fazem, e lá porque fizeram um disco menos coeso, não é à primeira que se percebe que as faixas são malhas de alta qualidade dançável ou que o humor continua a ser inteligente e súbtil... À primeira audição parece um bocado mais do mesmo, sem as qualidades dos outros discos. É preciso dar tempo para percebermos que o que não faltam aqui são "singles" potenciais para qualquer pista de dança. Que há aqui grandes malhas que nenhum humano consegue fazer tão bem como estes patetas alegres.
Diz o figurino, que o próximo álbum será o "comeback", né? Os regressos das bandas são sempre desastrosos! Mas eu tenho fé nos Puppetmastaz!
Quanto aos Techno Animal só lamento nos anos 90 terem-me passado ao lado porque este humanos monstruosos são apenas dois dos artistas mais admiráveis Justin Broadrick (Napalm Death, Godflesh, Jesu) e Kevin Martin (Curse of the Golden Vampire, The Bug). Vêm da vaga Illbient que se criou nos anos 90, em que o Dub, ritmos Hip Hop e Industrial (ou pós-industrial ou power electronics) se funde para criar ambientes negros, de pesadelo, da má "trip". Aqui ninguém fica alegre! Este disco, curiosamente, foi feito em parceria de intercâmbio de ficheiros. Alguns artistas enviaram sons criados por eles para os Techno Animal, eles trabalharam sobre eles e fizeram algumas faixas (que aparecem no disco) e depois devolveram aos autores originais que ainda misturam o material. Assim intercalado aparecem faixas de Techno Animal com as novas (re)misturas de Porter Ricks, Ui, Spectre, Tortoise e Alec Empire (Atari Teenage Riot). O resultado não é assim tão impressionante, se ninguém disse-se o quer que fosse, não conseguiria descobrir qual o tema original e qual o tema misturado. Talvez só no último tema, Atomic Buddha, se sinta os excessos Drum'n'Bass / Digital Hardcore do Empire, projectando o que viria a ser Curse of The Golden Vampire.
Com tantas bandas de humanos inúteis que voltam, só voltam fantoches maravilhosos e menos os Techno Animal (e os Curse!)... Injustiça Cósmica! Deus odeia-nos!
quinta-feira, 15 de março de 2012
Mais mistérios africanos (work-in-progress)




Há um mês (creio) fui à Feira da Ladra e tive uma sorte! Cinco CDs de música Afro-Pop a Cinco Euros!!!!
Queria começar pelo mais xunga deles todos mas não encontro mesmo nenhuma informação. alguém sabe dos Two Faces (nome da banda e do disco) editado pela RMS (Reis Musica e Som lda) de 1997? São três elementos: Luis Rafael, Maya Cool e Bruno Castro... É uma espécie de Afro-Dance Music que lembra um kuduro "light", proto-kizomba e até mesmo reggaeton (o tema Remexe). As letras são de ressabiado ou de tímido que queria fazer amor com uma gaja, o gajo que canta sofre e é sofrível - além de rídiculo, no caso do tema 2 Faces, tema cantado em português e em inglês: O teu amor não é sincero / alimentaste o meu ciúme / nunca foi dado por inteiro / Não me amas-te de verdade [bla bla bla + um rap manhoso] You got 2 Faces! Agradeceria informações se alguém souber alguma coisa deste curioso agrupamento pós-qualquer-coisa de origem angolana (?). Entretanto já digitalizei a capa...
Vamos para Cabo Verde com Varela Monteiro Bodinho, um star do Funáná em balizas de Afropop bem definidas em que até de vez enquando entram guitarradas fatelas de Rock FM. Um só coração (Cape Disco; 2001) têm meia-hora de festinha roça - convém sempre ter namorada nestas andanças africanas! - em que temas como Projecto ou Ta Pila dão vontade de fazer coreografias badalhocas com... a pila. Divertido apesar do aspecto betinho do Bodinho q.b.
Segue-se para Raiss di Funáná que vão no seu terceiro registo com Dja bêm (Afro-Line; 2003). O nome não engana estamos perante um colectivo de Funáná - original do Bairro da Pedreira dos Húngaros - que existe desde 1998 com este nome embora a sua história remote ao final dos anos 80 como um grupo de dança e musical Pila-Kana. O primeiro tema do disco mostra que este grupo não são meninos com fraldinhas mijadas, aqui há seis homens de óculos escuros mafia-style e uma dúia com fúria de viver, que se atiram a ritmos altamente acelerados (que começa com um sample de carro a abrir!) que só com coca e speeds é que se consegue acompanhar isto! Parece que um gajo levou com a pila depois de ouvir estes 41m de música africana bombada à velocidade estúpida do mundo ocidental. Brutal!
Também a viver em Portugal, na Buraca, Jorge Nêto é um grande nome do Afropop com raízes em Cabo Verde, embora Dia diferenti (Cabo Verde Productions; 2003) tenha sido gravado na Holanda - como aliás, acontece com muita boa música de Cabo Verde! - quando o músico vivia por lá. Cheio de energia e percorrendo vários estilos: Kizomba, Funáná, Zouk, etc...
Por fim Biere Noire (ou Alain Deloumeaux?) é um granda alien! E não é porque tem pinta de bichona mas porque Lé 3B : ou inme tchouye ou pe mo (Atis;199_?) começa logo com um orgão tirado do espaço, o ritmo Zouk é bom para roçar e a voz do mano... a voz do mano! Canta num francês crioulado da Guadalupe (ilha nas Antilhas) mas com um timbre afemininado e arrastado que muitas vezes parece um pato disléxico - alguém imagina tal coisa? Pois... Algumas música são do pior como Maladie d'Amour, é do mais azeiteiro possível mas há outras de um mistério linguístico que encantam como Ka yo dire sou moin.
Sendo das Antilhas não deveria se quer estar nests "post africano" mas como é tão misterioso ao nível da informação como os discos africanos, lixa-se e fica a aqui mesmo... Afinal, quem percebe este gajo que ora assina Biere Noire, ou Jocelyne Bierre Noire ou Alain Deloumeaux? Que no blogue desactualizado dele tanto se auto-intitula como o "boss do zouk" como noutro lado qualquer na 'net é o "mendigo do zouk"? Descobrir a capa do disco? Ah! Tarefa de titã, tomem que digitalizei:
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
I put a spell on you...

Natacha Atlas & The Mazeeka Ensemble : Ana hina (World Village / Harmonia Mundi; 2008)
No Domingo passado, passou uma grande dama da World Music! E a sala, aliás Grande Auditório - com um cheiro estranho - da Calouste Gulbenkian estava cheia de velhinhos, tias e gajas freak-chics que frequentam workshops de dança do ventre, suspeito. A senhora, que dizia há alguns anos que era uma "faixa de Gaza humana", dada às suas misturas étnicas (filha de sangues árabes, judeu, europeu, etc...) merece realmente ser recebida de sala cheia! Atlas incorpora tantas "geo-músicas" na sua discografia com momentos ABSOLUTAMENTE geniais como a sua versão I put a spell on you, que mostra que é o exemplo vivo de a Humanidade só sobrevive e evolue se for mestiça.
Este penúltimo álbum de Atlas frequenta o lado hispánico da música árabe (não nos podemos esquecer que os árabes tiveram colónias na Península Ibérica até aos século XV), algum Jazz de Diva cota e uma procura por Om Kalsoum, Farid Al-Trash, Fairuz e Abdel Halim Hafez - os dois últimos foram feitas três versões neste disco. A Electrónica parece ter sido erradicada nas últimas gravações de Atlas, ficando tudo ao calor do instrumento acústico. Felizmente que em estúdio a música funciona ao contrário ao vivo que pareceu-me xoninhas, pouco coeso e artificial para agradar caucasianos burgueses a caminho do Centro de Dia. Um perigo constante que a "world music" assiste, o de transformar música viva e expressiva de rua em música de câmara para os corpos mortos dos caucasianos. Atlas tem feito tanta operação plástica (para quem têm quase 50 anos a cara dela insiste em ser o de uma boneca de 20) que se deixar passar essas operações para a música, ela ainda se torna é numa faixa de gaze humana...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Industrial é quando um homem quer...


Public Enemy : Fear of a Black Planet (Def Jam / Columbia; 1990)
Throbbing Gristle : 20 Jazz Funk Greats (Industrial / The Grey Area / Mute ; 1991)
O Camarada Fom Fom ofereceu o LP dos Public e o CD dos Gristle como prenda de Natal há duas semanas... é assim mesmo, o Natal é quando um homem quer!
Belas prendas, estes terceiros álbuns destas importantes bandas. 20 Jazz Funk Greats é de 1979 com uns Throbbling Gristle menos "agressivos" - embora esta reedição tenha dois temas extras de "industrial marcial" - e mais Electro, quase a dar um passo para Psychic TV. O melhor ainda assim é a capa que simula o imaginário de "Pop/Rock campestre" dos anos 60 com os elementos da banda vestidos como gente normal numa paisagem verdejante, a ironia é que a localização era um dos spots da Grã-Bretanha onde se concretizavam o maior número de suicídios. Os TG cunharam o termo Industrial à nova música realizada por uma geração que gozava de novas formas de tecnologia para criar e difundir música, uma Era da Informação que em poucas décadas daria na Era do Digital. O termo musical relacionava-se com a ideia da Revolução Industrial, em que óbviamente a relação do "homem-músico" com as máquinas iria mudar, tal como a partir do século XVIII a vida do Homem iria mudar para sempre.
Apontemos à Revolução Industrial a poluição e ruído, o consumismo frenético, o aumento da área produtiva dos serviços, não-especialização da mão-de-obra, a urbanização / abandono dos campos, a miséria e explosão demográfica, o aumento da velocidade dos transportes, o capitalismo moderno, a difusão de ideias democráticas e sociais, nacionalismo e militarização, etc... Na música pós-punk e pós-Industrial - impossíveis de os separar porque partilham o mesmo momento histórico e os modelos de produção - também iremos encontrar mudanças idênticas na música: uso do ruído das máquinas e processos mecânicos (concretos), consumo excessivo facilitado com a oferta de auto-edição e edição independente, produção e disseminação de música através de tecnologia caseira (o gravador de k7, o estúdio caseiro e o movimento tape-trading), aumento de artistas não-músicos (sem qualificações académicos ou formação), invenção de instrumentos e o uso de objectos como instrumentos (como o gira-discos), auto-gestão, fetichização por objectos de culto (edições limitadas), segmentação dos públicos (tribos urbanas, subculturas, elitismo), ritmos maquinais (techno), o sampling, a remix e o mash-up,...
Ouvindo este álbum dos Publico Enemy - considerado a sua obra-prima e umas das obra-primas do Hip Hop - também não deixo de pensar que há algo de "Industrial" na sua essência - aliás, não é a primeira vez que faço essa analogia - pelo facto de haver tipos com uniformes e símbolos militares no universo imagético da banda, discurso público, uso de samplagem de mass-media (música Pop, rádio, TV), uma preferência do trabalho de estúdio e conceptual que não passa necessáriamente pela execução por músicos formais, caos sonoro desbravando terrenos novos no mundo dos sons e o escândalo que causa aos moralistas de sempre.
De resto, este é um disco que se aproximaria do fim da "Era de Ouro" do Hip Hop porque nos próximos tempos este tipo de música seria perseguida pela ganância das editoras para o pagamento de "royalties" de samples usados. Por volta de 1992, ou o pessoal era rico, como o beto do Beck, para conseguir licenças dos excertos samplados ou então estava sujeito a multas e destruição do trabalho - embora tenham sido os brancos John Oswald e Negativland que sofreram mais com estas perseguições. Daí a maioria do Hip Hop tornar-se-á pobre sónicamente falando. Basta ouvir um pedaço deste disco e sente-se imediatamente o excesso de informação sonora (dezenas de samples), para além de uma velocidade louca, coisa que não se sentia nos dois discos. Estes eram mais brutos e ruidosos, quase tão marciais como o Industrial clássico de uns TG.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
mini-entrevista para o MAB
1- O que te fez entrar na indústria de BD em geral?
???? que indústria? que pergunta manhosa... se queria ir prá indústria tanto podia ir para a banca, como aliás, o meu curso superior me estava a levar - Gestão de Empresas... Trabalho na bd porque sempre gostei de banda desenhada e fui levado por ela com o acumular de tarefas tão diferentes como bibliotecário, fornecedor de conteúdos, editor, autor, formador, organizador de eventos, curador, argumentista, etc... Também não distingo o que é obrigação e o que é prazer, quase tudo o que faço no dia-a-dia liga-se a questões sobre bd - nem que seja porque faço bd autobiográfica.
2 -Quais são as técnicas que utilizas para fazeres os teus livros?
Como autor? papel e caneta, photoshop para emendar erros e preencher fundos pretos... e concentração, a parte mais complicada quando se está a pensar sempre em facturas de lojas que não pagam, gráficas que se atrasam a entregar livros, gajos que não respondem a e-mails urgentes, etc...
Como editor: o livro tem de ficar mais próximo do que o autor quer que fique ou que faça sentido para a sua obra...
3 - Quais são os tipos de livros que mais gostas?
Livros que nos façam descobrir sensações e conhecimentos: Julius Évola, Celine, Phillip K. Dick, Thomas Bernhard, Daniel Clowes, Alan Moore, Chester Brown, Grant Morrison, Janus, Ana Cortesão, Rafael Dionísio, Rui Eduardo Paes, Joe Sacco, Fredox - o qual fiquei com os "olhos a vomitar" (lema do Le Dernier Cri) - , Anke Feuchtenberger, André Lemos, Igor Hofbauer, Tommi Musturi, Stud Mead, Joe Coleman,...
4 - Já visitaste alguma vez o Porto?
Claro que já fui aí vezes sem conta!!! A primeira saída de casa prá fim-de-semana louco e teenager sem controlo paternal foi para o Porto! Sempre que podia ia ao Porto, a desculpa mais vulgar era a visita ao saudoso Salão de BD do Porto (1993-2001), agora, qualquer desculpa serve... é a minha cidade favorita!!! Lisboa é uma "barceloneta" da treta!
???? que indústria? que pergunta manhosa... se queria ir prá indústria tanto podia ir para a banca, como aliás, o meu curso superior me estava a levar - Gestão de Empresas... Trabalho na bd porque sempre gostei de banda desenhada e fui levado por ela com o acumular de tarefas tão diferentes como bibliotecário, fornecedor de conteúdos, editor, autor, formador, organizador de eventos, curador, argumentista, etc... Também não distingo o que é obrigação e o que é prazer, quase tudo o que faço no dia-a-dia liga-se a questões sobre bd - nem que seja porque faço bd autobiográfica.
2 -Quais são as técnicas que utilizas para fazeres os teus livros?
Como autor? papel e caneta, photoshop para emendar erros e preencher fundos pretos... e concentração, a parte mais complicada quando se está a pensar sempre em facturas de lojas que não pagam, gráficas que se atrasam a entregar livros, gajos que não respondem a e-mails urgentes, etc...
Como editor: o livro tem de ficar mais próximo do que o autor quer que fique ou que faça sentido para a sua obra...
3 - Quais são os tipos de livros que mais gostas?
Livros que nos façam descobrir sensações e conhecimentos: Julius Évola, Celine, Phillip K. Dick, Thomas Bernhard, Daniel Clowes, Alan Moore, Chester Brown, Grant Morrison, Janus, Ana Cortesão, Rafael Dionísio, Rui Eduardo Paes, Joe Sacco, Fredox - o qual fiquei com os "olhos a vomitar" (lema do Le Dernier Cri) - , Anke Feuchtenberger, André Lemos, Igor Hofbauer, Tommi Musturi, Stud Mead, Joe Coleman,...
4 - Já visitaste alguma vez o Porto?
Claro que já fui aí vezes sem conta!!! A primeira saída de casa prá fim-de-semana louco e teenager sem controlo paternal foi para o Porto! Sempre que podia ia ao Porto, a desculpa mais vulgar era a visita ao saudoso Salão de BD do Porto (1993-2001), agora, qualquer desculpa serve... é a minha cidade favorita!!! Lisboa é uma "barceloneta" da treta!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Javardo Suomi Rock

Räjäyttäjät : Räjäyttäjät räjäyttää! (TNT + Bad Vugum/BV2; 2011)
Um amigo meu ligado á cena Free / Improv disse-me uma vez que a Finlândia é o país escândinavo mais fraco no que diz respeito à música. Estranho, sempre tive a impressão completamente oposta a isso. Complementando melhor a "acusação" percebi que deveria haver com virtuosismo. Bom, se calhar é mesmo isso que faz a diferença... Talvez seja verdade que não haja cromos de músicos como da Noruega ou Suécia mas é inegável que "loucura" e "experimentação" é algo que a Finlândia bate aos seus pares. E estes Rajayttajat (faltam os tremas bem sei mas é uma chatice metê-los) são o exemplo disso. Considerada a "melhor" banda da Finlândia do momento, não passa de um trio rocker-garageiro-javardeiro que cantam/ berram no Suomi desconhecido - por mim, as letras até podem estar a dar a receita de fazer brigadeiros. A energia e sujeira é total que nunca poderíamos meter no mesmo saco dos betos-suecos vizinhos Hives, por exemplo. É displicente como tocam o que já se ouviu milhares de vezes mas pelos vistos até já fez resurgir a editora Bad Vugum do seu limbo editorial. Um fenómeno local de um país cuja costela russa fode o calculismo sueco.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
On 2012/01/24, at 15:35, L.B. wrote:
Quase nunca recebo este tipo de coincidências da vida. Eis uma nova finalmente:Desculpa não te ter recebido quando vieste cá a casa, não deu mesmo… Mas ao menos conheceste a minha mãe (eheh). (...) Eu curto bué as tuas cenas meu, acho que é preciso ter colhões para ser autobiográfico na bd e eu não sou um grande conhecedor de BD conheço poucas coisinhas mas tu és um dos que estão no topo para mim (ao lado do Bagge e do Clowes quer queiras ou não!!!), identifico-me bué com as tuas historias meu, tb tens um bocadinho de Harvey Pekar em ti (sorry…). Curto bué a historia da Bifa, sou pouquinho eu com as ladies também… as tuas listas de ódio são brutais, e também acontecia-me pouquinhas vezes ficar paranoico em o meu pai e a minha mãe descobrirem que eu fumo ganzas! Agora já não porque os meus pais ja sabem e não foi assim tao dramático quanto pensei que ia ser. A primeira cena que li tua foi o Talento Local porque um amigo meu comprou quando estava a haver uma exposição no CCB de bd tuga e curti bué! Apixei acho que na Feira Laica do ano passado no verão, a ti mesmo se não me engano. E este ultimo que comprei (Noitadas, Deprês & Bubas) foi para dar a minha namorada (que também gosta imenso das tuas cenas, ela ontem disse-me isto "O Halloween tá para o hip hop como o Marcos ta pa bd na tuga" se não gostares de Halloween não leves a mal nós curtimos e é bem) no Natal, e meu sem exageros foi uma das cenas mais fixes que li da tuga! Só me falta mesmo ler o Boring Europa se não me engano, a minha namorada já leu (porque a irmã mais velha dela tinha em casa) e curtiu bué também. (...)
domingo, 15 de janeiro de 2012
Infecção bicéfala...

Portugal no seu jardim plantado à beira mar /
nasceram Morangos e Floribelas na campa de Salazar
Halloween in Um jardim à beira mar
O Hip Hop Tuga (péssima expressão!) tem o grande feito de ter trazido de volta a língua portuguesa para a música de cariz urbana, depois de oportunistas bacocos como os Blind Zero e Silence 4 terem tentado sepultado a língua numa enorme campanha de pseudo-globalização – previsivelmente falhada dada a óbvia falta de originalidade desses projectos. Só que os “hip hop tugas” ficaram-se por aqui, foram a resistência para o uso da língua lusa mas falharam tudo o resto ao apropriaram-se deste estilo musical de forma dogmática sem reflectirem se o modelo norte-americano fazia ou não sentido para a realidade portuguesa. Talvez por isso quase não há personalidades distintas no Hip Hop português, ou pelo menos é muito raro encontrar. Não faltam, claro, figuras inchadas, cheias de si, que contribuem apenas para que esse “Hip Hop Tuga” seja aquilo o que vernacularmente se pode chamar de uma “grande punheta” – digo-o não de forma gratuita porque basta ouvir as letras autofagicas e masturbatórias para perceber o que digo.
Claro que temos uma serie de instrumentistas competentes ou esgrimistas exímios de palavras (Sam The Kid, X-E-G) mas estas excepções surgem por serem os virtuosos de uma cena medíocre que segue um “beat” unilateral. Nas periferias deste movimento ainda vamos encontrar dois casos interessantes embora equidistantes, por um lado os Niggapoison, descendentes de Cabo Verde que começaram como banda de Hip Hop e cada vez são mais Dancehall e Kuduro, e do outro os beirões Factor Activo, vindos do Rock e que usam o Hip Hop para retratar a urbanização da província. São dois casos tangenciais ao âmago da cena. Dentro dela conheço só dois rappers que fugiram aos “templates”, são o Nerve e o Ex-Peão. O primeiro fazendo uma caricatura da vida “white-trash” e o segundo como retrato do homem desesperado versus a máquina do sistema. A juntar a estes dois artistas, (re)conheço agora Allen Halloween, com o seu novo e segundo álbum A Árvore Kriminal (Sonoterapia; 2011), que sim senhora, considero o “álbum do ano” em Portugal!
Escreve-se sobre ele nas “wikipedias”, que Allen é um luso-guineense que vive em Portugal desde os 4 anos num subúrbio lisboeta e que é um tipo reservado. Talvez por causa disso que o concerto que assisti na Music Box no final do ano tenha sido uma treta, não parece que o Halloween seja um tipo “live” – embora geralmente os concertos naquela casa nocturna não são bons, diga-se, ou porque não enche, ou porque é estupidamente cara a entrada e consumo, ou o habitual: o som da sala é péssimo. Seja como for, desconfio que Allen é bicéfalo – não se nota, ele esconde muito bem e realmente no concerto não descobri a sua segunda cabeça! Uma delas trata de temas que poderiam ser autobiográficas e pessoais enquanto que a outra encarna personagens malditas do gueto como o dealer durão ou o bêbado irrecuperável. Pelo facto de haver uma intersecção das duas cabeças – serão siamesas? – explode uma fantasia urbana brutal que criou o Halloween, personagem psico-dramática que deixa as pessoas fascinadas quando se cruzam com as suas músicas.
Em Portugal, Halloween “rapa” de forma pouco canónica, ora de forma lenta e degenerada, ora com inesperados berros. É muito raro no Hip Hop Tuga haver rimas que sejam debitadas sem ser uma lenga-lenga melosa, nunca é onomatopaico (como os Fu-Schnickens), gritado (Onyx) ou monstruoso – como o Horrorcore dos seminais Gravediggaz ou as produções da Psycho+Logical Records. Até os convidados de Halloween no disco estão numa linha longe do horizonte habitual, trazendo realmente mais-valias ao disco – ao contrário das dezenas de convidados que os discos de Hip Hop trazem e que nada acrescentam faixa a faixa, fenómeno aliás que também já passou há muito para a Pop ou o Metal com resultados similares. De destacar os vocais “dreadas” no tema Aleleuia A Ressurreição do Kriminal com Buts MC, J-Cap e Lord-G, que lembram os momentos mais ganzados pré-milenares de Tricky ou o gangsta assustador de Wu-Tang Clan – duas influências que se sentem nitidamente. Como vêem, Halloween é realmente Dark! E em Portugal nós gostamos de música Dark!
Os seus “beats” (o som instrumental) são minimalistas mas com uma carga dramática que une sons consensuais nas produções de Hip Hop como o banal sinfónico mas quando menos se espera acrescenta “solos” ou feedback de guitarras e sons concretos, tácticas abandonadas no Hip Hop mundial – que só os velhotes Public Enemy iniciaram e perpetuaram e deixaram Dälek como dos poucos herdeiros. Halloween não é barulhento o suficiente para estar nesta liga de peso-pesados mas não foge com o rabo à seringa, não se entregando totalmente à harmonia simplicista.
Outro ponto positivo, até diria o ponto máximo, é que não há aqui R’n’B ranhoso! É um mistério total que em todos os discos de Hip Hop haja faixas ou coros R’n’B, talvez para realçar um momento “sentimental” ou “sensível” dos artistas. O problema é que ser “sensível” não deveria significar “piroso”, e neste disco fica provado que se pode dar volta à questão. Crazy e O Ódio são os momentos “softs” mas os instrumentais destas músicas invés de irem ao vómito R’n’B lembram antes as melancolias dos Gorillaz - ou melhor, de Augustus Pablo (1954-99) uma vez que os Gorillaz rapinam este jamaicano com pompa e circunstância, e numa lógica de multiplicação Halloween também foi atrás. Mais estranho é como o disco acaba. Ainda antes de uma “faixa escondida”, o tema Debaixo da Ponte poderia ser uma balada dos Xutos & Pontapés – não que ser comparado aos Xutos seja um valor positivo (o mais certo é não ser) mas mostra como A Árvore Kriminal é tão imprevisível como uma rusga da bófia.
Mais uma música, mais um vigarista /
mais um estúpido que dança na pista /
ninguém precisa de ser um bom artista /
tu só precisas é de mais uma bebida
Halloween in O convite
Também em Halloween não há lugar para a “moralzinha”. Quase todo o Hip Hop Tuga é padreco, ou seja, os MCs dizem o que deveríamos ou deixar de fazer. Não sei o que é pior, se ser “pastor” ou não ter talento para o fazer acabando por ser reaccionário. Com Halloween não há nada disso. Os retratos que ele nos vai oferecendo não procuram convencer-nos de nada. Claro que como qualquer artista, acaba por ser “moralista” – e acho que devo esclarecer qual a diferença entre o “moralista-moralzinha” e o “moralista-artista”. Há uma mania que o público têm de achar que os artistas mais explícitos, como o Mike Diana (autor de bd norte-americano acusado de obscenidade) ou os Carcass, são depravados e “muita malucos” justamente por mostrarem imagens ou letras/sons chocantes. Mas muitas vezes estes autores são o contrário, extremamente introvertidos, e os trabalhos que produzem são imagens que necessitam de exteriorizar para não enlouquecerem – ex.: Mike Diana em julgamento teve de explicar as suas imagens ao tribunal da Florida, uma delas havia um padre a molestar crianças, Diana disse que esta imagem surgiu porque ouviu uma notícia na rádio de um padre que violava menores, que lhe ficou a imagem horrível na cabeça e teve uma necessidade de a desenhar, justamente para se libertar dela. Muito provavelmente Diana desenhou a imagem justamente para criticar a nossa realidade – bem pior que as ficções mais sádicas já criadas, escritas, desenhadas, etc... – o que no fundo mostra esse lado de crítica que acaba por ter haver com a moralização dos costumes. A diferença entre Diana, Carcass ou Halloween e os “artistas positivos” é que os primeiros não dizem explicitamente que está errado, será o receptor / leitor / ouvinte que irá julgar o que a obra lhe mostra mesmo se o desenho seja revoltante por estar cheio de genitais e esperma nas bocas das criancinhas. Halloween nas suas letras dá-nos acesso a personagens violentas, violentas com os outros ou consigo próprias, e se as letras muitas vezes são exibicionistas, Halloween não um é animal “gangsta” que anda prái a dar tiros no meio da rua, o que ele pretende é uma expiação pelos crimes cometidos por ele ou por outras pessoas que conheceu.
Se escrevia que o Halloween era bicéfalo em que a sua arte funciona da intersecção dos “dois cérebros”, é curioso que ela sintetiza de uma história oculta do Hip Hop, ignorada em Portugal mas que está mais adequada à nossa realidade do que se podia imaginar. Era um trabalho sujo que algum gajo tinha de o fazer... mesmo quando ele escreve letras que não rimam em Noite de Lisa: Não toques na bicicleta se não tens pedalada / até gosto da tua conversa mas... cala-te! Uma heresia para os puritanos do Rap? Ainda bem!
nasceram Morangos e Floribelas na campa de Salazar
Halloween in Um jardim à beira mar
O Hip Hop Tuga (péssima expressão!) tem o grande feito de ter trazido de volta a língua portuguesa para a música de cariz urbana, depois de oportunistas bacocos como os Blind Zero e Silence 4 terem tentado sepultado a língua numa enorme campanha de pseudo-globalização – previsivelmente falhada dada a óbvia falta de originalidade desses projectos. Só que os “hip hop tugas” ficaram-se por aqui, foram a resistência para o uso da língua lusa mas falharam tudo o resto ao apropriaram-se deste estilo musical de forma dogmática sem reflectirem se o modelo norte-americano fazia ou não sentido para a realidade portuguesa. Talvez por isso quase não há personalidades distintas no Hip Hop português, ou pelo menos é muito raro encontrar. Não faltam, claro, figuras inchadas, cheias de si, que contribuem apenas para que esse “Hip Hop Tuga” seja aquilo o que vernacularmente se pode chamar de uma “grande punheta” – digo-o não de forma gratuita porque basta ouvir as letras autofagicas e masturbatórias para perceber o que digo.
Claro que temos uma serie de instrumentistas competentes ou esgrimistas exímios de palavras (Sam The Kid, X-E-G) mas estas excepções surgem por serem os virtuosos de uma cena medíocre que segue um “beat” unilateral. Nas periferias deste movimento ainda vamos encontrar dois casos interessantes embora equidistantes, por um lado os Niggapoison, descendentes de Cabo Verde que começaram como banda de Hip Hop e cada vez são mais Dancehall e Kuduro, e do outro os beirões Factor Activo, vindos do Rock e que usam o Hip Hop para retratar a urbanização da província. São dois casos tangenciais ao âmago da cena. Dentro dela conheço só dois rappers que fugiram aos “templates”, são o Nerve e o Ex-Peão. O primeiro fazendo uma caricatura da vida “white-trash” e o segundo como retrato do homem desesperado versus a máquina do sistema. A juntar a estes dois artistas, (re)conheço agora Allen Halloween, com o seu novo e segundo álbum A Árvore Kriminal (Sonoterapia; 2011), que sim senhora, considero o “álbum do ano” em Portugal!
Escreve-se sobre ele nas “wikipedias”, que Allen é um luso-guineense que vive em Portugal desde os 4 anos num subúrbio lisboeta e que é um tipo reservado. Talvez por causa disso que o concerto que assisti na Music Box no final do ano tenha sido uma treta, não parece que o Halloween seja um tipo “live” – embora geralmente os concertos naquela casa nocturna não são bons, diga-se, ou porque não enche, ou porque é estupidamente cara a entrada e consumo, ou o habitual: o som da sala é péssimo. Seja como for, desconfio que Allen é bicéfalo – não se nota, ele esconde muito bem e realmente no concerto não descobri a sua segunda cabeça! Uma delas trata de temas que poderiam ser autobiográficas e pessoais enquanto que a outra encarna personagens malditas do gueto como o dealer durão ou o bêbado irrecuperável. Pelo facto de haver uma intersecção das duas cabeças – serão siamesas? – explode uma fantasia urbana brutal que criou o Halloween, personagem psico-dramática que deixa as pessoas fascinadas quando se cruzam com as suas músicas.
Em Portugal, Halloween “rapa” de forma pouco canónica, ora de forma lenta e degenerada, ora com inesperados berros. É muito raro no Hip Hop Tuga haver rimas que sejam debitadas sem ser uma lenga-lenga melosa, nunca é onomatopaico (como os Fu-Schnickens), gritado (Onyx) ou monstruoso – como o Horrorcore dos seminais Gravediggaz ou as produções da Psycho+Logical Records. Até os convidados de Halloween no disco estão numa linha longe do horizonte habitual, trazendo realmente mais-valias ao disco – ao contrário das dezenas de convidados que os discos de Hip Hop trazem e que nada acrescentam faixa a faixa, fenómeno aliás que também já passou há muito para a Pop ou o Metal com resultados similares. De destacar os vocais “dreadas” no tema Aleleuia A Ressurreição do Kriminal com Buts MC, J-Cap e Lord-G, que lembram os momentos mais ganzados pré-milenares de Tricky ou o gangsta assustador de Wu-Tang Clan – duas influências que se sentem nitidamente. Como vêem, Halloween é realmente Dark! E em Portugal nós gostamos de música Dark!
Os seus “beats” (o som instrumental) são minimalistas mas com uma carga dramática que une sons consensuais nas produções de Hip Hop como o banal sinfónico mas quando menos se espera acrescenta “solos” ou feedback de guitarras e sons concretos, tácticas abandonadas no Hip Hop mundial – que só os velhotes Public Enemy iniciaram e perpetuaram e deixaram Dälek como dos poucos herdeiros. Halloween não é barulhento o suficiente para estar nesta liga de peso-pesados mas não foge com o rabo à seringa, não se entregando totalmente à harmonia simplicista.
Outro ponto positivo, até diria o ponto máximo, é que não há aqui R’n’B ranhoso! É um mistério total que em todos os discos de Hip Hop haja faixas ou coros R’n’B, talvez para realçar um momento “sentimental” ou “sensível” dos artistas. O problema é que ser “sensível” não deveria significar “piroso”, e neste disco fica provado que se pode dar volta à questão. Crazy e O Ódio são os momentos “softs” mas os instrumentais destas músicas invés de irem ao vómito R’n’B lembram antes as melancolias dos Gorillaz - ou melhor, de Augustus Pablo (1954-99) uma vez que os Gorillaz rapinam este jamaicano com pompa e circunstância, e numa lógica de multiplicação Halloween também foi atrás. Mais estranho é como o disco acaba. Ainda antes de uma “faixa escondida”, o tema Debaixo da Ponte poderia ser uma balada dos Xutos & Pontapés – não que ser comparado aos Xutos seja um valor positivo (o mais certo é não ser) mas mostra como A Árvore Kriminal é tão imprevisível como uma rusga da bófia.
Mais uma música, mais um vigarista /
mais um estúpido que dança na pista /
ninguém precisa de ser um bom artista /
tu só precisas é de mais uma bebida
Halloween in O convite
Também em Halloween não há lugar para a “moralzinha”. Quase todo o Hip Hop Tuga é padreco, ou seja, os MCs dizem o que deveríamos ou deixar de fazer. Não sei o que é pior, se ser “pastor” ou não ter talento para o fazer acabando por ser reaccionário. Com Halloween não há nada disso. Os retratos que ele nos vai oferecendo não procuram convencer-nos de nada. Claro que como qualquer artista, acaba por ser “moralista” – e acho que devo esclarecer qual a diferença entre o “moralista-moralzinha” e o “moralista-artista”. Há uma mania que o público têm de achar que os artistas mais explícitos, como o Mike Diana (autor de bd norte-americano acusado de obscenidade) ou os Carcass, são depravados e “muita malucos” justamente por mostrarem imagens ou letras/sons chocantes. Mas muitas vezes estes autores são o contrário, extremamente introvertidos, e os trabalhos que produzem são imagens que necessitam de exteriorizar para não enlouquecerem – ex.: Mike Diana em julgamento teve de explicar as suas imagens ao tribunal da Florida, uma delas havia um padre a molestar crianças, Diana disse que esta imagem surgiu porque ouviu uma notícia na rádio de um padre que violava menores, que lhe ficou a imagem horrível na cabeça e teve uma necessidade de a desenhar, justamente para se libertar dela. Muito provavelmente Diana desenhou a imagem justamente para criticar a nossa realidade – bem pior que as ficções mais sádicas já criadas, escritas, desenhadas, etc... – o que no fundo mostra esse lado de crítica que acaba por ter haver com a moralização dos costumes. A diferença entre Diana, Carcass ou Halloween e os “artistas positivos” é que os primeiros não dizem explicitamente que está errado, será o receptor / leitor / ouvinte que irá julgar o que a obra lhe mostra mesmo se o desenho seja revoltante por estar cheio de genitais e esperma nas bocas das criancinhas. Halloween nas suas letras dá-nos acesso a personagens violentas, violentas com os outros ou consigo próprias, e se as letras muitas vezes são exibicionistas, Halloween não um é animal “gangsta” que anda prái a dar tiros no meio da rua, o que ele pretende é uma expiação pelos crimes cometidos por ele ou por outras pessoas que conheceu.
Se escrevia que o Halloween era bicéfalo em que a sua arte funciona da intersecção dos “dois cérebros”, é curioso que ela sintetiza de uma história oculta do Hip Hop, ignorada em Portugal mas que está mais adequada à nossa realidade do que se podia imaginar. Era um trabalho sujo que algum gajo tinha de o fazer... mesmo quando ele escreve letras que não rimam em Noite de Lisa: Não toques na bicicleta se não tens pedalada / até gosto da tua conversa mas... cala-te! Uma heresia para os puritanos do Rap? Ainda bem!
sábado, 14 de janeiro de 2012
Sem palavras

Angels of Light : We Are Him (Young God; 2007)
Aproveitei a festa de despedida do Alex Vieira para fazer uma sessão de Troca de Discos - a malta já não compra CDs na Feira Laica, o lote que levei era quase todo do que tinha à venda na Laica... Ninguém veio com discos pra trocar - quer dizer o Bruno Borges até foi buscar discos mas depois não trocamos nada... Nem o Dr. Gama apareceu! Esse obcecado pela troca de discos não meteu lá os seus pézinho! Caramba! Então começei a dar discos, faltavam 2 dias pró Natal. Dei um disco de Panacea a uma miúda e ela mais tarde deu este belo disco através do opuntia-man!
E que disco! Valeu ter despachado montes de discos como prendas para os amigos e conhecidos para receber este. Também valeu a misturar Acid Mothers Temple com 300.000 V.K. provando que rock psicadélico e techno até casam bem. Se ainda tivesse o Invisual seria com agrado que colocaria uma ou duas faixas à pala das pinturas de Deryk Thomas na capa e interior do disco.
Sobre o disco? Pá, leiam isto que fica tudo explicado. E o Farrajota recomenda!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Punk que é punk... não se lembra!

O Alex Vieira arranjou-me o DVD dos Ratos de Porão, intitulado Guidable : a verdadeira história do Ratos de Porão (Black Vomit + Läjä; 2010) que junta dois discos DVD, um com o documentário sobre esta famosa banda brasileira de Hardcore, e o outro com um excesso de horas extras (muitas, 6 horas?). O documentário começa bem, com imagens dos inícios dos anos 80 e a explicação como apareceu o Punk no Brasil, como um conceito de destruição total criando no Brasil não uma tribo urbana mas antes "gangues urbanas". Depois o filme torna-se uma coisa chata de se ver, só com a história normal de (mais uma) banda, ou seja as suas subtituições de elementos (no caso dos RxDxDx foram uns 5 baixistas ou coisa que os valha), sem capacidade de analisar a mudança da cena musical ao longo dos anos 80, 90 e 00 e a forma como os RxDxPx se inserem. O documentário cai na visão microscópica para os fãs doidões, quem quiser contextos macroscópicos que vá ao oftalmologista, aqui goza-se os 20 anos de fama da banda Punk/Hardcore sul-americana mais conhecida do mundo.
Os extras são as brincadeirinhas de bêbado em tour + cenas ao vivo de concertos pelo mundo fora (Portugal incluído) + vídeos oficiais da banda. Momentos altos, o alucinante concerto com Jello Biafra e malta de Sepultura a tocarem temas de Lard e Dead Kennedys, ou o terror Noise do concerto / performance do Gordo com um japonoca Black Metal e uma trituradeira amplificada - muitos meninos do Noise deveriam tirar daqui as lições. Gostei de ver os RxDxPx a chegarem a sítios auto-geridos onde já tive o prazer de estar, como o Metelkova em Ljubjana (ver Boring Europa), o Forte Prenestino em Roma (onde acontece o Festival Crack, ver Talento Local) ou o Centro Sociale Leoncavallo (Milão) mas isso também é vaidade pessoal minha que nada altera a seca que é este DVD.
Por fim, também não falam muito dos artistas que fizeram a imagem das capas dos discos e afins. Para este DVD, a capa é de Gabriel Renner que também faz bd. Ó Ratos onanistas!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
08.10.11 09.10.11 (pós-produzido)

o 3º capítulo (e os anteriores) do meu novo livro estão quase pós-produzidos... Quem é que vai publicá-los???
O Little Bob é um rocker francês que aparece no último filme do Aki Kaurismäki, Le Havre.
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sábado, 31 de dezembro de 2011
10 + 1 de 2011

Halloween : A Árvore Kriminal (Sonoterapia)
Secret Chiefs 3 : Masada Book 2 : Book of Angels 9 : Xaphan (Tzadik; 2008)
Monotonix (ZDB; 27 Fev)
Feira do Jeco (Maus Hábitos; 2 e 3 Abril)
v/a: Tinta nos Nervos (CCB; Jan-Mar + catálogo)
Çuta Kebab & Party (Chili Com Carne + Faca Monstro)
Stealing Orchestra : Deliverance (YANSR)
D.R.I. (Revólver; 11 Mar)
Melanie is Demented : Melanie är Demented + MXLXNXXXSDXMXNTXD (Wormfood)
Neuro : Neuro-Trip (MMMNNNRRRG) + expo Trem Azul (24 Jun - 30 Jul)
+ Aaron Shunga : Vacuum Horror (MMMNNNRRRG)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Daniel Guisé : "The Doors Comics" ($ociedade Radioativa; 2007)
O autor brasileiro de bd Daniel Gisé é fã dos Doors e em 2003 criou um site onde publicou várias bds sobre a banda. Mais tarde esse material foi recolhido pela $ocidade Radioativa em formato A6 - tal como a Patte de Mouche, Quadradinho, Filme da Minha Vida,... Fim da história! Tal como tenho vindo a "queixar" há uns quantos "posts" no blogue da CCC (clicar no título onde diz Brasil para aceder todos para trás), os brasileiros encaram a bd ora como algo para fazer humor ou então para psicadelia barata como se a última vez que tiveram acesso a cultura contenporânea foi nos anos 60 ou 70. Neste caso junta as duas coisas - humor e nostalgia pelos loucos 60s.Estamos perante um enredo circular envolta dos Doors em formato de "gags" que nem sempre se concretizam - mas o próprio autor nunca pretendeu que fosse assim, puro humor. Cada "tira" é um "slice of life" mais ou menos divertido que não pretende criar uma biografia dos Doors ou do Jim Morrison [et al] mas mais um estado de espírito daqueles tempos e dos elementos da banda. Até ponto é conseguido embora no final ficamos meio insatisfeitos com tão pouco, questionando para quê todo este trabalho - também não foi muito, são apenas cerca de 30 páginas. Pior mesmo é a paginação do livro com pranchas na horinzontal para cada lado, isto é, nas páginas pares a tira é colocada de forma a ler-se prá esquerda e logo a seguir as páginas impares temos de voltar prá direita. Drogados!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
CIA info 75.0


Houve Festa de Despedida do Alex Vieira, editor da revista brasileira de "bd, punk e psicadelismo" Prego! Ontem no bar do WIP / Rua Garett, 60 (onde esteve a CHILI ao QUADRADO) onde algumas pessoas conheceram este convidado especial da 19ª Feira Laica e que não podia ir ao Porto. O Alex Vieira como artista gráfico participou em duas antologias da Chili Com Carne, MASSIVE e Seitan Seitan Scum mas é mais conhecido como editor da revista Prego que acaba de lançar o número 5 num evento off do Rio Comicon, dedicado ao "som" e onde entre vários autores da "nova bd de autor brasileira" também participo. A passagem pelo tema "som" não é inocente uma vez que Alex Vieira tem uma enorme ligação ao Punk / Hardcore.
Na festa, além de copos baratos e as melhores chamuças da cidade, poderam ver os trabalhos que Alex trouxe do Brasil prá Feira Laica bem como zines e livros de bd. A animar a festa fiz uma exceptional sessão de unDJing com os meus piores discos para serem trocados - mas tal não aconteceu por que não apareceu o habitual Dr. Gama! Alguém ainda se lembra da troca de discos?

Um excerto de uma bd que mostra a minha versão da geneologia Punk. Talvez venha a integrá-la no novo livro... quem sabe...
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sábado, 17 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Infecção Urinária da Finlândia (VI)

E com este texto fecho os relatos sobre as minhas aventuras sonoras nórdicas durante a minha estadia na Finlândia. Na última semana ainda consegui ir a Turku e comprei um CD-R enganoso. Intitulado Avarrus Suomesa (trad.: Finlândia espacial?) de 2006 (?) é um “set” de dois DJs, Prof. Roland Fender e Prof. Megatron Holaris (ligados à bd? Adquiri numa loja de bd) que misturam músicas Pop sobre o espaço cósmico numa pespectica descendente de 2020 a 1959 seja lá como isso é possível. Pensava que era um disco do colectivo experimental Avarus, que fez a banda sonora da exposição Glömp X patente na Bedeteca de Lisboa em 2009 mas não, é uma “mix-tape” de kitsch em que o único nome conhecido é Jimi Tenor com um “tango espacial”. No fundo, isto só tem piada pelas letras que nos transportam para uma era perdida e inocente (o passado é sempre considerado inocente mesmo que tenha sido bárbaro!) em que se ainda sonhava com a conquista do Espaço. Não percebendo patavina da lingua “suomi” é mais fácil imaginar este objecto deslocando-o para uma versão portuguesa em que teriamos misturadas fatais de um tema de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte de José Cid com a Amália a cantar o Sr. Extraterrestre seguido de Planet Lakroon dos Pop Dell’Arte, as Doce com Starlight, os Space Boys, Stealing Orchestra, etc…Talvez esta tenha sido a minha pior despedida cultural de sempre!
“Pop Will Eat Itself” é capaz de ser o melhor nome e manifesto para música urbana pela forma canibalesca e autofágica como vemos as fórmulas repetirem-se até à exaustão, com uma indústria fonográfica a gastar mais dinheiro em promover lixo do que a incentivar à criação – aliás, como seria possível de outra forma? A música é um negócio capitalista, e o Capitalismo é o Rei do Trash! Talvez pelo avanço na minha idade vou tendo menos paciência para a Pop e o Rock e infelizmente também para os outros géneros que se foram cristalizando como o Punk, Hardcore, Metal, Hip-Hop, etc… Ouvir estas formas de criação que insistem em serem eternamente jovens quando a maior parte delas já têm pelo menos 30 anos de História provocam-me vómitos e enjóos fáceis. Talvez por isso prefiro ouvir Noise, música árabe ou Africana do que a última sensação Pop sueca anunciada pelo Imbecílon… Ops! Caí na esparrela agora! Porque ando louco a ouvir Melanie Is Demented e os seus últimos dois álbuns online Melanie är Demented e MXLXNXXXSDXMXNTXD, ambos editados este ano pela sua label Wormfood. Mas como é uma coisa DIY, a imprensa oficial não vai ligar patavina, estou livre de culpa!
MID é uma “one-band man” que tem vivido em instituições psiquiátricas a gravar estes maravilhosos discos, é sueco e não finlandês mas serve para fechar este ciclo de artigos. Conheci-o em Estocolmo em 2008 durante o SPX (festival de bd alternativa) nas condições descritas nesta bd mantendo um contacto permanente com este jovem perturbado mas com uma sensibilidade Pop/Rock apurada. É aquele tipo de gajo que consegue sacar o famoso e obrigatório “orelhudo” em todos os seus temas mesmo quando canta em sueco, completando a famosa equação do “indie” Pop/ Rock para ser viciante - sem deixar de ser "inteligente".
Para mim é uma espécie de Frank Zappa pelas ideias de fusão e ruptura (não a forma superficial) em versão “bedroom punk”. Há partes da voz que lembra David Bowie, outras Butthole Surfers, onde aliás, instrumentalmente acaba por haver alguma ligação com a banda texana que na sua última fase investiram num Rock Electrónico não muito longe do que MID faz: loops, samples, ritmos Hip-Hop ou Drum'n'Bass com guitarradas balizadas entre o Blues e Rock. Enquanto os Butthole desapareceram sem glória, MID tem todo o sangue na guelra e sente-se a poderosa evolução de registo em registo. As letras tratam de assuntos endérmicos de quem escolheu o Rock como expressão criativa, passando por uma forte crítica ao negócio fonográfico e as suas bandas atrasadas-mentais, ao fascismo dos Sociais Democratas, à Globalização, aos abusos da polícia e à apatia social. MID escreve numa componente autobiográfica e irónica que é contudente e longe da futilidade do “teenage love” ou “teenage angst” como 99% da música que se ouve. Quando ele dedica um tema ao Batman não é para se armar em Gótico da pacotilha mas para criticar o alter-ego da personagem, Bruce Wayne, que é um filho-da-puta de um beto rico. Quando canta um tema sobre pastilhas elásticas não é para celebrar o gozo de mastigar este produto pueril mas para lembrar que ele é feito de dinheiro sujo de países explorados do terceiro mundo.
O estranho é como ele o faz de forma armadilhada onde podemos encontrar em doses idênticas de militância, energia, crítica, astúcia, empatia, desordem, desobediência e humanismo. Características de um verdadeiro artista. MID é um “filho de uma colisão cultural” (roubo descaradamente a expressão ao meu tema favorito dos Urban Dance Squad!), que obviamente tanto se passa a ouvir Stoner Rock como Gangsta. Um híbrido da civilização Ocidental que não se alinha no conforto zombie da boa integração social, especialmente o da sueca que pretende que os seus cidadãos sejam humildes e que escondam qualquer forma de exibicionismo. Ora isto é uma missão impossível para este tipo, ainda o ano passado enviou-me uma foto dele a mostrar a pila em frente ao monumento (não menos fálico) do centro de Estocolmo. Havia um contexto, ainda assim, que era a comemoração dos 10 anos da MMMNNNRRRG e o lançamento do livro Pénis Assassino do Janus mas ainda assim eu não precisava de ver os seus genitais… Freud explica!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
CIA info 73.7

O novo Pindura chegou! É GIGANTE e com brinde como sempre!!!
Desta vez, de Portugal participaram eu e os camaradas André Lemos e Pepedelrey. Esperamos alguns exemplares deste louco calendário para o evento-espaço CHILI ao QUADRADO.
O melhor é fazer reserva porque só haver 7 exemplares para Portugal! +info compra AQUI
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Lá pró Brasil a malta anda-se a divertir com festas de lançamento e cervejas à borla, bandas e novidades editoriais... Mas eu já me diverti também e COMO!!!!
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